A empresa Raízen protocolou nesta quarta-feira (11), na Justiça de São Paulo, um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas, no que pode se tornar o maior processo desse tipo já registrado no Brasil.
O objetivo da medida é criar um ambiente jurídico que permita a renegociação das obrigações financeiras com credores e a reorganização da estrutura de capital da companhia.
Em Mato Grosso do Sul, a Raízen mantém atualmente apenas uma unidade industrial, localizada no município de Caarapó. No ano passado, o grupo vendeu duas usinas que operava em Rio Brilhante, para a Cocal Agroindústria, em uma negociação estimada em R$ 1,543 bilhão. O acordo incluiu também áreas cultivadas com cana-de-açúcar e contratos com fornecedores ligados às duas unidades.
Anos antes, em 2021, a empresa havia ampliado sua presença no Estado ao adquirir três usinas da Biosev. Na época, a operação envolvia cerca de 4,3 mil trabalhadores e aproximadamente 149 mil hectares de cana plantados, com produção anual que chegava a 508 mil toneladas de açúcar, 398 mil litros de etanol por safra e moagem superior a 10 milhões de toneladas de cana.
Recorde no país
Caso seja homologado, o processo pode representar o maior pedido de recuperação judicial ou extrajudicial já registrado no Brasil. Até então, o maior caso era o do Grupo InterCement, que em setembro de 2024 solicitou recuperação para renegociar cerca de R$ 21,9 bilhões.
Segundo o plano apresentado pela empresa, a deterioração financeira ocorreu por uma combinação de fatores econômicos e setoriais, como queda recente na produtividade agrícola, redução das margens do setor sucroenergético e aumento significativo do custo do endividamento.
Outro fator apontado foi a elevação da taxa básica de juros no país. De acordo com o documento, a Selic saiu de cerca de 2% ao ano em 2020 para aproximadamente 15% em 2026, o que aumentou consideravelmente os custos financeiros da companhia.
Empresas envolvidas e valores
A recuperação extrajudicial envolve nove empresas da estrutura corporativa da Raízen, incluindo subsidiárias ligadas à produção de açúcar e etanol e à comercialização de combustíveis no Brasil e no exterior. Entre elas está a Raízen Caarapó Açúcar e Álcool, responsável pela unidade industrial no sul de Mato Grosso do Sul.
O passivo consolidado do grupo chega a R$ 65,14 bilhões. Desse total, cerca de R$ 22 bilhões estão em reais, enquanto aproximadamente US$ 7,68 bilhões estão em dólares e 506 milhões de euros em moeda europeia.
A companhia informou que credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras sem garantia já aderiram ao plano. Pela legislação, a empresa terá prazo de até 90 dias para alcançar o percentual mínimo necessário para que o acordo seja homologado pela Justiça.
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