O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto vem mantendo um silêncio inexplicável sobre o esquema criminoso do Banco Master. Por um lado, não há qualquer indício de que ele tenha envolvimento com o caso, mas, por outro, as suspeitas são de que ele e toda a cúpula do órgão tenham sido enganados pelo então diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza.

Sob a gestão do então presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, o banqueiro Daniel Vorcaro recebeu autorização para comprar o então banco Máxima, rebatizado para Master Foto: FOTO: WILTON JUNIOR/ESTADÃO
Como mostra a linha do tempo publicada Estadão, o banqueiro Daniel Vorcaro recebeu a autorização para assumir o então Banco Máxima no final de 2019, sob a presidência de Campos Neto. Já em 2021 o banco havia quase triplicado de tamanho, saltando de R$ 3,5 bilhões para R$ 9,7 bilhões em passivos (no caso do Master, só se tem certeza sobre os passivos, porque os ativos eram inflados e fraudados).
Em 2024, ano em que Campos Neto deixou a presidência do BC, o Master já havia se tornado um banco de R$ 77,3 bilhões. A instituição financeira cresceu 128% nesse ano, mesmo depois de o BC adotar medidas para apertar a fiscalização, com alteração de regras para precatórios, para o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e com uma espécie de ultimato dado ao Master em novembro, um mês antes de o economista deixar o posto.
Como agora se sabe que Paulo Sérgio e o então chefe do Departamento de Supervisão bancária Belline Santana estavam em conluio com o Master, fica mais fácil entender esse número, porque havia agentes infiltrados dentro do BC. As regras podem ter surtido pouco efeito prático.
Campos Neto, ao que tudo indica, recebia informações enviesadas, e, além disso, não é do escopo da presidência do Banco Central se debruçar sobre bancos pequenos como o Master, que implicam baixo risco sistêmico (capacidade de causar efeito cascata sobre outros bancos).
Hoje, o economista é vice chairman e chefe global de políticas públicas do Nubank. Uma ação movida pelo Instituto Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e do Trabalhador (Abradecont) aponta que o Nubank vendeu R$ 2,9 bilhões de CDBs do Master, ao lado da XP (R$ 29 bilhões) e do BTG (R$ 6,7 bi). O que ele pensa sobre a atuação desses bancos que lucraram essa venda?
Campos Neto teve papel decisivo na transição delicada entre os governos Bolsonaro e Lula. Mas, de um jeito ou de outro, foi sob a sua gestão que o Master cresceu e se transformou em um fraude bancária que custou mais de R$ 50 bilhões ao FGC. Ele deve esclarecimentos ao País.
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