
Uma empresária de 30 anos, moradora de Dourados,
registrou ocorrência policial na noite de domingo (23) denunciando o
ex-namorado por agressões, ameaças, exposição nas redes sociais e perseguição.
O homem, de 33 anos, é o mesmo que acionou a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e
a apontou como suspeita de furtar duas correntes de ouro em Paranaíba. O caso
segue sob investigação.
Dono de extensa
ficha criminal, o homem se apresenta nas redes sociais como “concurseiro” e
atualmente integra o grupo “Lengendários”. O nome vai ser mantido em sigilo
para não expor a vítima.
A empresária relata que manteve relacionamento com o
homem por cerca de dois meses, encerrado em 19 de fevereiro de 2026. Segundo o
boletim, até então ele não havia apresentado comportamento agressivo.
Durante viagem no feriado de Carnaval, iniciada na semana
do dia 9 de fevereiro, o casal passou por Paranaíba e Votuporanga (SP). No dia
13, em Paranaíba, ele apresentou ciúme excessivo após ingerir bebida alcoólica.
No dia seguinte, em Votuporanga, durante uma festa, ele a acusou de “dar moral
para outro homem”, segurou seu braço e a arrastou, causando hematomas.
Conforme o relato, também a ofendeu com xingamentos. Na
mesma noite, ela ligou para um amigo em Dourados pedindo ajuda para retornar.
Ao ouvir a ligação, o então namorado voltou a ofendê-la. Temendo que a situação
se agravasse, decidiu fingir que estava tudo bem e se hospedou com ele em um
motel, planejando sair na manhã seguinte. Também entrou em contato com a
madrinha e, ao ouvir a conversa sobre o término, ele teria dito: “Se você não
for minha, não vai ser de mais ninguém”.
Ainda segundo a ocorrência, no dia 18 de fevereiro, já na
casa de uma tia dele, em Paranaíba, ambos ingeriram medicamento antialérgico
antes de dormir. Na madrugada do dia 19, ela acordou e encontrou o quarto
revirado. Ele afirmou que correntes de ouro haviam sumido e disse que iria
“atrás”. A empresária insistiu para que registrassem ocorrência, inclusive de
forma virtual, mas ele recusou, dizendo que resolveria “do jeito dele”.
Mais tarde, ele solicitou uma carona por aplicativo para
que ela retornasse a Dourados e pediu que compartilhasse a localização em tempo
real. Às 14h47 do dia 19, já na BR-262, em Água Clara, a empresária foi
abordada pela PRF. Conforme divulgado pela corporação, a abordagem ocorreu após
informação de que uma mulher que havia furtado joias em uma residência seguia
em direção a Campo Grande.
No veículo, conduzido por motorista de aplicativo que
levava quatro passageiros, os agentes encontraram duas correntes de ouro
escondidas dentro de uma meia, em um dos tênis e na mochila da suspeita.
Questionada, ela afirmou que as joias eram dela. Confrontada com o boletim de
ocorrência, disse que parte dos objetos seria do namorado e que teria recebido
como presente. O motorista e os demais passageiros foram liberados. A
empresária foi encaminhada à Polícia Civil de Água Clara.
No boletim registrado agora em Dourados, ela afirma que
foi o próprio ex-companheiro quem comunicou o suposto furto à PRF. Após ser
liberada e sem conseguir seguir viagem, hospedou-se em um hotel em Paranaíba.
Ainda com acesso à localização dela, o homem teria ido até o local às 21h13,
enviado foto da fachada e feito ligações com a mensagem: “vai atender ou tá
difícil”. Ela acionou forças policiais e uma equipe da Polícia Militar foi ao
endereço, mas ele já havia saído.
A empresária relata ainda que, depois da abordagem, a PRF
divulgou matéria sobre o caso sem citar seu nome. Segundo ela, o ex comentou na
publicação, identificando-a como autora do furto. A postagem passou a circular
em grupos de WhatsApp e, conforme o registro, ele teria reforçado as acusações
em redes sociais e páginas de fofoca.
Ela afirma que trabalha com consultoria para empresas e
depende diretamente da imagem nas redes sociais, alegando prejuízos financeiros
e danos à reputação.
Histórico
No histórico do homem há registros policiais desde a
adolescência. Em julho de 2012, aos 19 anos, ele foi preso após invadir a casa
de um pastor no Jardim Tarumã, em Campo Grande, manter a família refém por
cerca de 40 minutos e ser detido ao sair do imóvel com uma pistola. O comparsa
morreu no local após troca de tiros com um policial militar de folga. Na
ocasião, os assaltantes pediam dinheiro e joias, mas nada foi levado.
Constam ainda registros anteriores por porte ilegal de
arma, lesão corporal dolosa na direção de veículo, desacato, furto qualificado,
tráfico de drogas e direção sem CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Já
maior de idade, foi apontado como autor de tentativa de homicídio. Em 2016,
voltou a ser preso. Conforme a polícia à época, ostentava armas e crimes nas
redes sociais e havia mandado de prisão em aberto.
Na nova ocorrência, a empresária afirma que teme por sua
integridade e pela segurança do filho de 9 anos. Ela relata que, em conversa
anterior, ao comentarem um caso de grande repercussão envolvendo um pai que
matou os filhos após descobrir traição, o então namorado teria dito que o homem
“estava certo”.
A empresária manifestou desejo de representar
criminalmente contra o ex-companheiro e solicitou medidas protetivas de
urgência para ela e o filho, além de pedido para que ele seja impedido de citar
seu nome nas redes sociais.
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