“Muitas pessoas me chamam de mãe da Venezuela”, diz María Corina Machado
Em entrevista à Coluna, em maio, a vencedora do Nobel da Paz falou sobre como é unir o país em meio ao regime de Nicolás Maduro.
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, encontrou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira, 15, de forma privada. A vencedora do Prêmio Nobel da Paz luta para manter uma linha direta com a Casa Branca diante da consolidação do diálogo entre Washington e Caracas.
María Corina chegou ao complexo da Casa Branca pouco antes das 12h30 (14h30 de Brasília). Vestida com um conjunto de terno branco, ela desceu de um carro, sem dar declarações, e foi acompanhada para o almoço privado. Ela não utilizou a entrada tradicional para dignitários na ala oeste da Casa Branca.
Ela ficou por cerca de 2h horas na sede do Executivo americano. Nada foi divulgado sobre a reunião com Trump pela Casa Branca, e até o momento nenhuma foto dos dois foi tornada pública.
Após a reunião, María Corina disse que deu a Trump a medalha de ouro que ganhou pelo Prêmio Nobel da Paz.
“Contamos com o presidente Trump para a liberdade da Venezuela”, disse a um grupo de apoiadores após a reunião com o mandatário na Casa Branca, segundo registraram alguns veículos de imprensa.

María Corina Machado deixa a Casa Branca após encontro com Trump Foto: Pablo Martinez Monsivais/ AP
María Corina cumprimentou apoiadores, antes de seguir para o Capitólio, para um encontro com congressistas seguido de declarações públicas.
A administração Trump manteve um tom discreto em relação a essa reunião, depois de Trump ter dito na semana passada que seria “uma honra” receber Machado, e ainda mais sobre a ideia de “compartilhar” de alguma forma o Prêmio Nobel da Paz, que ele almejava e que acabou ficando com a líder venezuelana.
Machado dedicou o Nobel a Trump e, em seguida, lançou a ideia de entregar o prêmio a ele, algo que a Academia norueguesa esclareceu que não era possível.
A aproximação com Trump, buscada por María Corina há um ano, havia se deteriorado após a operação que levou à captura do ditador Nicolás Maduro. Na ocasião, o presidente americano decidiu não oferecer apoio político à opositora uma vez que avaliações da inteligência dos EUA apontaram que ela enfrentaria dificuldades para governar a Venezuela.
Trump foi convencido por assessores de alto escalão, entre eles o secretário de Estado, Marco Rubio, considerando a avaliação de que um apoio direto poderia aprofundar a instabilidade no país, incluindo o risco de exigir um envolvimento militar maior dos Estados Unidos. A definição do presidente marcou um afastamento público de Washington em relação à líder opositora.
Primeira venda de petróleo venezuelano
Trump provocou um terremoto dentro e fora da Venezuela ao lançar uma ofensiva para deter e transferir Maduro e sua esposa para os Estados Unidos, acusados de narcotráfico.
A operação foi recebida inicialmente com euforia pela oposição. Mas Trump logo jogou um balde de água fria ao declarar que Machado era uma “pessoa muito simpática”, mas que não a via como líder do país.
Com a substituta de Maduro, Delcy Rodríguez, ele manteve, em contrapartida, na quarta-feira, uma “longa” conversa telefônica, sobre petróleo, minerais, comércio ou segurança, revelou o presidente. Rodríguez é uma líder “formidável”, assegurou Trump. A presidente interina venezuelana, por sua vez, explicou que a conversa foi “produtiva e cordial”, em “um marco de respeito mútuo”.
Venda de petróleo
Os Estados Unidos estão rapidamente tecendo uma relação particular com Caracas, um regime que oficialmente continuam considerando “narcoterrorista”, o que não impede os negócios.
Nesta quinta-feira, 15, uma autoridade sob condição de anonimato confirmou uma primeira venda de petróleo venezuelano apreendido, no valor de 500 milhões de dólares (R$ 2,7 bilhões). Esse dinheiro passará para contas controladas diretamente pelo Departamento do Tesouro.
Trump “protege” o continente americano “contra os narcoterroristas, os traficantes de drogas e os adversários estrangeiros que buscam tirar proveito”, declarou uma porta-voz da Casa Branca.
Fiel à sua política do morde e assopra, o governo Trump anunciou também a apreensão, no Caribe, de um sexto petroleiro submetido a sanções. Para seus planos petrolíferos, Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, esperam contar com a colaboração das multinacionais, que, no entanto, pedem que se esclareça o marco legal e político./Com informações da AFP
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