Enquanto parte do público evangélico debate fé, renúncia e sobrevivência em meio à crise econômica, uma outra realidade segue existindo dentro do mesmo campo religioso: a do luxo extremo, do patrimônio milionário e de líderes que concentram riqueza em níveis inalcançáveis para a maioria de suas próprias ovelhas.
O caso mais recente envolve o pastor Jerônimo Onofre da Silveira, ligado à Igreja do Evangelho Quadrangular e conhecido por sua atuação no Templo dos Anjos, em Contagem (MG). O líder colocou à venda uma ilha particular avaliada em R$ 15 milhões, localizada na Lagoa Várzea das Flores, uma das áreas mais valorizadas da região metropolitana de Belo Horizonte.
O anúncio, feito por uma imobiliária especializada em imóveis de alto padrão, descreve a propriedade como um “refúgio exclusivo e surreal”. A ilha possui 2.500 metros quadrados de área construída, com 28 suítes casa presidencial, piscina aquecida, quadra de tênis, campo de futebol, área náutica e estrutura para jet skis e lanchas. Um patrimônio reservado a poucos, e distante da realidade da maioria dos fiéis brasileiros.
O vídeo promocional, divulgado por uma corretora de imóveis de luxo, reforça o contraste: conforto extremo, privacidade absoluta e uma vida que se assemelha mais ao universo da elite econômica do que ao cotidiano das igrejas que lidam com desemprego, fome e vulnerabilidade social.
O episódio reacende um debate incômodo dentro do evangelicalismo: até onde vai o direito individual à riqueza e onde começa a responsabilidade pastoral?Pastores não são obrigados legalmente a dividir seus bens. Mas, no campo moral e espiritual, a pergunta permanece: se quisessem, esses líderes poderiam transformar a realidade de milhares de famílias sob sua liderança.
No caso de Jerônimo Onofre, a discussão ganha contornos ainda mais graves. O pastor responde há anos a uma ação civil pública por improbidade administrativa, que apura o desvio de recursos públicos destinados a projetos sociais e à recuperação de dependentes químicos. Segundo decisões judiciais, valores repassados pela Prefeitura de Contagem teriam sido usados para manter estruturas ligadas ao pastor e para financiar patrimônio privado.
Fonte: Canal Eu Você a a Palavra
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