Lula retorna ao Brasil sem resolver tarifaço, mas deixa porta aberta com Trump
Presidente comenta detalhes da conversa com americano e governos estabelecem próxima rodada de negociações comerciais. Crédito: Felipe Frazão | AFP | TV EStadão
Depois que o presidente Donald Trump, em entrevista à Fox News, na terça-feira, 11, prometeu reduzir algumas tarifas sobre as importações de café, o setor no Brasil, o mais relevante fornecedor para os Estados Unidos, garante que terá capacidade de suprir a demanda americana rapidamente, logo que a medida for confirmada.
“Em termos de faturamento, os números colocados na exportação brasileira de café não sofreram, porque houve um aumento dos preços. Mas, em volumes exportados, foi uma queda brutal desde agosto”, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso. “Mas há muitos contratos em compasso de espera, on hold, como caracterizam os americanos. Eles não foram cancelados. Será fácil retomar, porque não é parceiro novo, mas um congelamento de negócios por três meses.”
Em setembro, no mês seguinte à entrada em vigor do tarifaço, houve uma queda de 52,8% das importações americanas dos cafés do Brasil, em comparação com o mesmo mês de 2024. O impacto mais forte aconteceu com os grãos finos.

Governo Trump lida com efeitos negativos das tarifas (na foto, de 5 de novembro, manifestante protesta à frente da Suprema Corte dos EUA, que põe em xeque a política comercial da Casa Branca) Foto: Mark Schiefelbein/AP
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, confirmou nesta quarta-feira, 12, a fala de Trump. Ele revelou que o governo anunciará nos próximos dias alívios tarifários sobre café, bananas e outras frutas e produtos, em uma tentativa de conter pressões de preços e impulsionar o consumo doméstico. “Veremos grandes notícias sobre tarifas nos próximos dias”, adiantou Bessent, em entrevista também à Fox News.
Na manhã desta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Niágara, no Canadá, à margem da reunião do G-7, para tratar da relação comercial entre os dois países e as tarifas aplicadas ao Brasil.
‘O americano estava sentindo falta do café brasileiro’
O fato de o café ter ficado de fora das lista de quase 700 itens isentos da tarifa adicional de 40% (que se soma à recíproca, de 10%) para exportações brasileiras aos EUA estava pressionando a inflação americana. “O café puxa a inflação de um país que não está habituado com inflação, e é um produto consumido por 76% da população”, diz Cardoso, da Abic. “O americano estava sentindo falta do café brasileiro.”
A pesquisa nacional de inflação ao consumidor dos EUA dos últimos três meses havia registrado que o café puxava a inflação da cesta dos alimentos em 38,1%, à frente da carne, também taxada em 50% nas exportações brasileiras, que representou 27,7% dos aumentos. O índice inclui um amplo conjunto de produtos, que incluem até frutas enlatadas, vegetais congelados e enlatados, alimentos processados, leite, frango, suíno, peixe e vegetais enlatados, entre outros.
O país é o maior consumidor de café do mundo. A cada dólar que os EUA importam do produto, a economia movimenta outros US$ 43. É um mercado de US$ 343 bilhões ao ano, que representa 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) americano. O Brasil responde, segundo a Abic, por 34% das vendas ao país e menos de 1% do mercado interno é suprido por plantações locais, concentradas no Havaí e em Porto Rico.
“Sabendo da dependência que os EUA têm do café brasileiro, em quantidade e qualidade, porque ele é relevante na composição dos blends consumidos por eles, sabíamos que não existe outro país que poderia suprir o mercado americano, como fazemos há mais de 150 anos”, afirma Cardoso.
Mesmo assim, foi necessária uma negociação complexa, que está chegando a termo de forma satisfatória pelo governo brasileiro, para o setor, avalia. “A negociação foi muito bem conduzida pela diplomacia brasileira”, diz o representante do setor, apesar de o tema ter chegado a um alto ponto de pressão por não envolver apenas questões comerciais, mas também de “narrativas políticas”.
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