O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo não haver fome em Gaza, contrariando números da Organização das Nações Unidas (ONU). Em seu primeiro encontro com a imprensa internacional desde que anunciou um plano para expandir a guerra e assumir o controle da Cidade de Gaza, ele também criticou a atuação de jornais como o New York Times, que, segundo ele, acreditaram piamente no que descreveu como” propaganda do Hamas”.
- Veja o que se sabe até agora: Plano de Israel prevê saída de palestinos de Cidade de Gaza até 7 de outubro
- Divisão interna: Divergências com o Exército e protestos marcam debate sobre ocupação total de Gaza
— As únicas pessoas que hoje em dia estão deliberadamente famintas em Gaza são nossos reféns, famintos por culpa dos monstros do Hamas — declarou Netanyahu, acrescentando que Israel “vencerá a guerra com ou sem o apoio de outros” países.
O primeiro-ministro exibiu fotos de crianças desnutridas publicadas por de jornais de todo o mundo, mas com etiquetas adicionadas com a palavra “falso. Ele afirmou que o governo israelense está processando o New York Times por usar uma imagem de uma dessas crianças em sua primeira página, alegando que o menor tinha problemas adjacentes. Segundo ele, a mãe e o irmão da criança são saudáveis, e o jornal ocultou uma correção. O premier israelense ainda comparou a cobertura da imprensa em Gaza às “mentiras malignas que foram contadas sobre o povo judeu na Idade Média”.
Se Israel estivesse implementando “uma política de fome, ninguém em Gaza teria sobrevivido após dois anos de guerra”, disse ele, referindo-se às imagens de crianças esqueléticas como uma “campanha global de mentiras” contra seu país. Netanyahu, porém, admitiu que houve “privação” na Faixa de Gaza, mas culpou o Hamas e a ONU, que, segundo ele, estariam se negando a entregar suprimentos aos palestinos.
De acordo com relatório da ONU, os hospitais da Faixa de Gaza estão sobrecarregados e trataram mais de 200 mil crianças por desnutrição aguda desde abril. Ao menos 16 menores de cinco anos morreram por causas relacionadas à fome desde meados de julho, segundo o organismo. O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA-ONU) também alertou no final de julho que o cenário de insegurança alimentar na Faixa de Gaza se compara aos vistos na Etiópia e em Biafra, na Nigéria, no século passado — duas tragédias na qual a fome foi usada como arma de guerra.
De acordo com o relatório do Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (IPC), o território palestino atingiu a fase 5 de “catástrofe humanitária”, a mais grave da escala. Para alcançar tal estágio, é necessário atender a critérios como: ter 20% dos lares sem alimentos, 30% dos menores com desnutrição aguda e duas mortes diárias por fome para cada 10 mil habitantes.

O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, afirmou neste domingo que cinco pessoas morreram de fome no território, elevando o número de mortos por desnutrição desde o início da guerra a 217, incluindo 100 crianças. Até o momento, mais de 61 mil pessoas foram mortas por Israel durante o conflito, de acordo com a Defesa Civil de Gaza, que registrou também 27 mortos neste domingo, incluindo 11 a tiros enquanto aguardavam distribuição de alimentos.
A situação no enclave se deteriorou a partir de março, quando Israel impôs um bloqueio total a Gaza após abandonar um cessar-fogo temporário firmado com o Hamas. Pressionado pela comunidade internacional, o governo flexibilizou parcialmente a medida em maio, quando a distribuição de ajuda humanitária passou a ser concentrada na Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês) — uma organização apoiada pelos EUA e por Israel cujo sistema de distribuição é alvo de críticas de organizações internacionais.
Segundo a ONU, mais de mil palestinos foram mortos enquanto aguardavam remessas de alimentos próximos a centros de distribuição da GHF. De maio a julho, a proporção de famílias enfrentando insegurança alimentar extrema duplicou, num período em que a média diária de veículos com ajuda humanitária foi de apenas 69, abaixo dos 500 que entravam diariamente no enclave antes da guerra.
Segundo o plano validado na sexta-feira pelo Gabinete de segurança israelense, o exército “se prepara para tomar o controle da Cidade de Gaza”, no norte do território e destruída em grande parte. Este plano “não tem como objetivo ocupar Gaza, mas desmilitarizar Gaza”, repetiu Netanyahu durante a coletiva deste domingo, realizada em seu escritório, em Jerusalém.
— Esta é a melhor forma de acabar com a guerra e a melhor forma de terminá-la rápido — afirmou. — Completamos grande parte do trabalho. Temos entre 70% e 75% de Gaza sob o controle militar israelense. Mas ainda nos restam dois baluartes: são a Cidade de Gaza e os campos [do centro da Faixa de Gaza]. Não temos outra opção para terminar o trabalho.
Netanyahu afirmou que será permitido à população civil “abandonar com toda a segurança as zonas de combate para ir para zonas seguras designadas” e que esta receberá provisões “em abundância”. O líder israelense voltou a acusar o Hamas de saquear os caminhões com ajuda para os civis palestinos e a ONU de “se negar sistematicamente, até há pouco, a distribuir os milhares de caminhões que deixamos entrar em Gaza”.
— Vamos designar corredores protegidos [para a distribuição de ajuda e] aumentar o número de pontos de distribuição de ajuda da GHF — acrescentou.
Discover more from FATONEWS :
Subscribe to get the latest posts sent to your email.

























