A investigação que resultou na Operação Ifrit, deflagrada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal e pela Receita Federal, apurou que a organização criminosa atua desde 2018. O grupo tem ramificações em Mato Grosso do Sul e outros estados.
Ao longo de aproximadamente dois anos de apuração financeira, o grupo teria movimentado mais de R$ 500 milhões, utilizando empresas de fachada, negócios simulados e contas de terceiros para ocultar a origem dos recursos.
Conforme informações divulgadas pela Receita Federal, as investigações começaram a partir do compartilhamento de provas obtidas em outro procedimento investigativo, que levantou indícios da existência da organização. Para atuação de organização do tráfico de drogas na região.
A partir disso, foram autorizadas medidas como quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático, além de outras técnicas especiais de investigação.
O trabalho conjunto entre os órgãos permitiu rastrear movimentações financeiras, identificar vínculos societários e patrimoniais e mapear a estrutura de comando do grupo.
A organização seria liderada por um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros parentes, além de contar com a participação de brasileiros e estrangeiros.
As apurações indicaram que o grupo atuava principalmente no tráfico transnacional de drogas e no comércio internacional de armas de fogo. Os produtos eram adquiridos na Bolívia, no Paraguai e no Peru e entravam no Brasil pela faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul, especialmente na região de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.
Depois de internalizadas no país, as cargas eram distribuídas para municípios sul-mato-grossenses e outros Estados, principalmente São Paulo, Paraná e Santa Catarina. O território brasileiro também seria utilizado como plataforma logística para armazenamento, transporte e envio de entorpecentes à Europa, sobretudo Espanha e Portugal.

A investigação identificou uma divisão de tarefas entre integrantes da família, operadores financeiros e responsáveis pela logística, transporte e segurança armada. O grupo também manteria vínculos com facções criminosas e contaria com a colaboração de agentes públicos, que supostamente forneciam informações estratégicas e apoio às atividades ilícitas.
Segundo a Receita Federal, a organização utilizava armamentos de elevado poder ofensivo, drones, equipamentos de comunicação, veículos blindados e estruturas para abrigar integrantes armados. Os recursos seriam empregados para manter influência em áreas da fronteira, proteger lideranças e intimidar grupos rivais.
As investigações também reuniram elementos relacionados a crimes violentos atribuídos ao grupo, entre eles sequestros, torturas, atentados e homicídios. A apuração aponta ainda possíveis práticas de corrupção e lavagem de dinheiro.
Operação
Nesta quarta-feira, são cumpridos 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária, além de três medidas de monitoração eletrônica e do afastamento de três policiais civis de suas funções.
As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande e são executadas em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia, Goiás e Santa Catarina.
A ação mobiliza 450 policiais federais, além de 22 auditores-fiscais e sete analistas tributários da Receita Federal.
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