O delegado da Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa teve um novo mandado cumprido contra ele na manhã desta quarta-feira (4/11) durante a Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal. O servidor, que já se encontrava afastado de suas funções e detido na sede do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros), alvo da Operação Infiltrados, desencadeada em setembro deste ano, foi transferido para o Presídio Federal.
A ofensiva federal deflagrada hoje investiga uma organização criminosa voltada ao tráfico transnacional de armas de fogo e entorpecentes, apontada como ligada a facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o PGC (Primeiro Grupo Catarinense). O grupo é suspeito de movimentar cerca de R$ 500 milhões ao longo de dois anos.
A defesa do delegado afirmou ao portal Campo Grande News que “nada tem a dizer” no momento. Outro adovogado do servidor compareceu à sede da PF na Capital, mas preferiu não prestar declarações.
No final de outubro, em 28 de outubro, a defesa havia protocolado um pedido de revogação da prisão preventiva de Hoffman, pleiteando a aplicação de medidas cautelares diversas ou a conversão para prisão domiciliar humanitária em razão de problemas de saúde.
Entre as condições propostas pela defesa constavam o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, entrega de passaporte, suspensão do cargo público, bloqueio de acesso a sistemas de inteligência da segurança pública e entrega de armamentos e credenciais funcionais. O pleito ainda aguardava apreciação da Justiça.
Operação Ifrit
De acordo com as investigações da Polícia Federal, o montante bilionário movimentado pelo esquema criminoso investigado na Operação Ifrit utilizava uma complexa rede de lavagem de dinheiro.
Os valores ilícitos transitavam por contas bancárias de investigados, empresas de fachada e contratos de operações comerciais fictícias, estratégias adotadas para ocultar a origem dos recursos e dificultar o rastreamento financeiro pelos órgãos de controle.
São cumpridos nesta manhã 76 mandados de busca e apreensão, 25 mandados de prisão preventiva e um mandado de prisão temporária, além de três medidas de monitoração eletrônica e do afastamento de três policiais civis de suas funções públicas.
As medidas judiciais expedidas pela Justiça Federal de Campo Grande, são cumpridas em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia.
A investigação apura a atuação de uma organização criminosa liderada por um núcleo familiar e associada a facções, com participação de agentes públicos das forças de segurança, incluindo policiais civis e militares sul mato-grossenses e um policial rodoviário federal.
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