Donald Trump adotou um tom surpreendentemente conciliador depois que a vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos o deixou em uma posição enfraquecida. Mas é impossível saber por quanto tempo essa postura vai durar.
Desde retomar a campanha militar contra o Irã até vetar projetos de lei democratas, o imprevisível presidente americano ainda pode usar os poderes que lhe restam para recuperar o protagonismo nos dois últimos anos de seu mandato.
— Sempre que Trump se vê encurralado, ele aumenta o tom de voz e parte para o confronto — comentou à AFP Peter Loge, diretor da Escola de Mídia e Assuntos Públicos da Universidade George Washington.

Trump parabenizou os democratas na noite de terça-feira e afirmou estar disposto a trabalhar com eles. Talvez precise fazer isso, sobretudo se os republicanos se voltarem contra ele após uma derrota que muitos deles atribuem à guerra no Irã.
Ao mesmo tempo, Trump tem se vangloriado de seu poder de veto sobre qualquer projeto de lei democrata que precise de sua aprovação.
Diversos veículos de comunicação informaram que o governo Trump planeja utilizar decretos presidenciais para impulsionar políticas migratórias rigorosas, como fez nos primeiros 100 dias de seu segundo mandato.
Trump, a primeira pessoa condenada criminalmente a vencer uma eleição presidencial, afirmou que enfrentará qualquer investigação conduzida pelos democratas.
A política externa é uma das áreas em que um presidente em fim de mandato ainda dispõe de amplos poderes.
Trump poderia retomar os ataques contra o Irã, embora tenha indicado na terça-feira que ainda busca um acordo para encerrar o conflito que iniciou em fevereiro, em conjunto com Israel.
— Caso contrário, simplesmente terminarei o trabalho — declarou à Fox News.
— Não acho que ele queira que seu legado seja o de um belicista. Ele quer que seu legado seja o de alguém que deixou os Estados Unidos mais fortes — comentou à AFP Ryan Hass, da Brookings Institution.
Trump também descartou especulações sobre uma possível demissão do secretário de Defesa, Pete Hegseth, caso a guerra no Irã se prolongue.
Eleitores vão às urnas nas eleições de meio de mandato dos EUA
Eleitores participam das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em 3 de novembro de 2026, em uma votação que definirá a composição do Congresso e terá impacto nos rumos da política americana.
3. Cessar-fogo na Ucrânia
Trump deseja ser visto como um pacificador e poderia pressionar a Ucrânia a aceitar algum tipo de entendimento com a Rússia. Conversas trilaterais estão previstas para a próxima semana, em Abu Dhabi.
No entanto, a influência de Trump diante de líderes como o presidente chinês Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin pode ser enfraquecida pela derrota eleitoral desta terça-feira.
O revés nas urnas ocorre menos de duas semanas antes da provável reunião dos três líderes em uma cúpula em Shenzhen, na China.
4. Monumentos em homenagem a si mesmo
Trump, um magnata do setor imobiliário e da construção civil, também poderia deixar de lado os confrontos para se concentrar em seu tema favorito: deixar um legado físico em Washington.
Em seu último discurso antes da votação, ele praticamente não falou de política. Em vez disso, concentrou-se na reforma do espelho d’água do Memorial Lincoln e em outros projetos para embelezar, segundo seu gosto, a capital americana.
Seu projeto mais ambicioso é o gigantesco salão de festas, avaliado em US$ 400 milhões, que está sendo construído na Casa Branca. Trump espera concluir a obra até o final de 2028, antes de deixar o cargo.
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