A conta não é pequena. Estimativas da Instituição Fiscal Independente apontam que os compromissos eleitorais podem acrescentar de 40 bilhões a 50 bilhões de reais às despesas de 2027. Ao mesmo tempo, a equipe econômica tenta construir uma trajetória de ajuste gradual, com melhora do resultado primário e contenção do crescimento das despesas. A conciliação dessas duas agendas exigirá decisões políticas que o presidente ainda não tomou.
Durigan vem defendendo a responsabilidade fiscal, rejeitando soluções heterodoxas para a política monetária e tentando convencer investidores de que não haverá uma ruptura econômica. Mas uma coisa é preparar diagnósticos e apresentar propostas. Outra, muito diferente, é assumir o custo político de implementá-las, negociar medidas impopulares com o Congresso e administrar a reação das diferentes alas do PT.
O ministro ainda não discutiu publicamente os termos de uma eventual sucessão com Lula. Seu nome aparece entre as possibilidades para o próximo governo, ao lado de Rafael Fonteles e Geraldo Alckmin. Isso impede tratar sua saída como certa. Ainda assim, caso a troca aconteça, Durigan poderá deixar o posto antes que a cobrança mais dura pelas escolhas fiscais recaia sobre o comando da Fazenda.
A ironia é que o sucessor talvez precise executar justamente parte das propostas formuladas pela equipe atual — mas em condições políticas e econômicas muito menos favoráveis. Para Durigan, uma eventual despedida representaria a oportunidade de preservar o capital político e profissional acumulado. Para quem assumir, começará o trabalho de transformar promessas eleitorais e projeções fiscais em decisões concretas. E assumir a responsabilidade pelas consequências.
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