Os americanos votaram nesta terça-feira, 3, nas eleições de meio de mandato, conhecidas pelo termo em inglês midterms . O presidente não está na cédula, mas o Congresso está, e é nele que se decide boa parte do que um presidente consegue ou não fazer.
O resultado útil será definir se Donald Trump governará os dois últimos anos de mandato com apoio republicano no Congresso ou se enfrentará uma ou ambas as Casas sob controle democrata. A votação também definirá governos estaduais, como o de Ohio, e prefeituras, como a de Los Angeles.
O que se decide na votação?
A eleição acontece na metade do mandato presidencial de quatro anos. Os candidatos escolhem todos os membros da Câmara dos Representantes, uma parte do Senado e muitas cargas estaduais e locais.
A diferença entre as duas casas está na duração dos mandatos. Os deputados têm mandato de dois anos, então toda a Câmara volta às urnas a cada ciclo.
Cada deputado representa um distrito, e a Câmara tem 435 cadeiras, número fixado na lei federal. Os senadores têm mandato de seis anos, e cada estado eleito dois, independentemente do tamanho da população.
Por que só parte do Senado vota?
A Constituição dividiu o Senado em três grupos, chamadas classes, e a cada dois anos um deles é eleito ou reeleito, o que equivale a cerca de um terço da Casa. A cada eleição, cada eleitor recebe um mandato completo de seis anos.
O ciclo de 2026 corresponde à chamada Classe 2. Os mandatos dessa classe começaram em 3 de janeiro de 2021 e terminam em 3 de janeiro de 2027, segundo o próprio Senado.
Como cada estado tem duas cadeiras em aulas diferentes, em condições normais cada uma realização de duas eleições para o Senado ao longo de três ciclos e passa um ciclo sem disputa. Eleições especiais, porém, podem fazer com que uma cadeira seja votada fora desse calendário.
Quais estados elegem senadores?
Em 2026, votaram para o Senado os estados que têm cadeira na Classe 2: Alabama, Alasca, Arkansas, Colorado, Delaware, Geórgia, Idaho, Illinois, Iowa, Kansas, Kentucky, Luisiana, Maine, Massachusetts, Michigan, Minnesota, Mississippi, Montana, Nebraska, Nova Hampshire, Nova Jersey, Novo México, Carolina do Norte, Oklahoma, Oregon, Rhode Island, Carolina do Sul, Dakota do Sul, Tennessee, Texas, Virgínia, Virgínia Ocidental e Wyoming.
Além das 33 disputas regulares da Classe 2, há eleições especiais para o Senado em Ohio e na Flórida. Em Ohio, a votação definirá quem completará o mandato da cadeira deixada por JD Vance quando ele assumiu a vice-presidência. Na Flórida, a disputa é pela parte restante do mandato de Marco Rubio. Ao todo, portanto, 35 cadeiras do Senado serão votadas em disputa em 2026.
Governos estaduais e prefeituras
A cédula inclui governos estaduais, como o de Ohio, e prefeituras, como a de Los Angeles. A AP cita a candidatura à reeleição do governador de Maryland, Wes Moore, também apontou como possível candidato à Presidência em 2028. Em vários estados há ainda eleição para assembleias legislativas e para cargas locais, que variam conforme a legislação de cada lugar.
Como o eleitor?
As eleições são administradas pelos estados, e não por um órgão federal exclusivo. Por isso as regras de registro, identificação e prazos mudam de um estado para outro. O portal oficial USA.gov indica como encontrar o órgão eleitoral de cada estado e confirmar o registro.
Há três formas principais de votar.
- No dia da eleição, presencialmente, no local de votação do eleitor. Os prazos abrem e fecham em horários diferentes. A AFP, por exemplo, planeja transmitir ao vivo desde a abertura da primeira seção em Nova York até o fechamento da última em Los Angeles.
- Antecipadamente, em pessoa. Na maioria dos estados, não é preciso apresentar justificativa para votar antes, mas em alguns é necessário pedir uma cédula de ausência para poder fazê-lo.
- Pelo correio, no chamado voto ausente. Todos os estados oferecem voto pelo correio, mas as regras sobre quem pode usar as opções. Também muda de estado para estado se vale a dados de postagem ou a dados em que a cédula chega ao órgão eleitoral, e alguns estados têm urnas para entrega da cédula. Nas eleições federais, não existe voto pela internet.
Militares e cidadãos que vivem no exterior podem votar por cédula de ausência, com informações no Programa Federal de Assistência ao Voto (FVAP.gov).
A disputa deste ano
Os democratas esperam controlar as duas casas do Congresso, de acordo com a AFP, o que lhes daria poder para colocar Trump na defensiva pelo resto do mandato, investigando a sua administração e travando a sua agenda. A campanha acontece, segundo a agência, numa combinação incomum de ansiedade econômica, guerra, batalhas sobre imigração, questões com corrupção e inquietação com a rápida expansão da inteligência artificial.
Segundo a AP, uma década depois de começar a remodelar o Partido Republicano à sua imagem, Trump enfrentou a perspectiva de uma rebelião eleitoral que poderá forçar os conservadores a compensar a liderança ao líder octogenário, em fim de mandato, e ao movimento “Make America Great Again”. Alguns candidatos republicanos já conseguiram se distanciar dele.
A reportagem ouviu o ex-senador Sununu, que disse que a saída de Trump deixará um pacote enorme e questionado para onde o país vai depois disso. O estrategista republicano David Urban contou que acompanha a coalizão de Trump, que atrai trabalhadores, hispânicos, afro-americanos e jovens, vai comparecer às urnas. Se esses participantes ficarem em casa, afirmou, surgirão dúvidas sobre quem será o próximo candidato do partido.
Os democratas seguiram impopulares, apesar do impulso do ciclo, e caminharam para uma disputa entre o establishment e os progressistas fortalecidos. Corbin Trent, ex-conselheiro da deputada Alexandria Ocasio-Cortez, disse que a eleição representa uma exclusão ao status quo. O governador Wes Moore afirmou à Associated Press que quer os líderes queriam a romper com o status quo e um partido do “sim” e do “agora”, mas decidiu-se a dizer se acolheria o DSA, os Socialistas Democráticos da América, no partido.
O que o resultado pode mudar para Trump?
Quem vencer ou perder, o fim da votação marca o início de uma luta crucial pelo futuro político do país na era Trump. A disputa ganhará força à medida que os novos congressistas assumam seus cargos em Washington e comece a corrida presidencial de 2028. Trump permanece no cargo por mais dois anos, com ou sem grandes perdas do seu partido.
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