Dispostas a lotar seus seus grupos digitais com novas garotas de programa dispostas a pagar pelo ingresso, três mulheres que controlam um império virtual clandestino no WhatsApp resolveram quebrar a lógica do mercado de luxo e lançar uma verdadeira “Black Friday da Sacanagem”.
O passaporte completo para entrar na maior rede especializada do país, que conecta modelos a agenciadores do Brasil, da Europa e do Oriente Médio, antes cobrado a R$ 600, despencou para apenas R$ 150, em uma oferta agressiva com 75% de desconto válida estritamente até as 23h de sexta-feira (30/10).
Rede exclusiva
No anúncio publicado em grupos do qual a coluna Na Mira teve acesso, o grupo de cafetinas mandou o papo reto e direto. “Se o objetivo de modelos e garotas de programa é buscar mais oportunidades, networking de alto nível e acesso aos “jobs” mais cobiçados do país, o saldão promete abrir as portas da maior rede de grupos especializados do Brasil. A adesão promocional garante entrada imediata na totalidade da estrutura digital”, diz.
A rede promete entregar castings nacionais e internacionais exclusivos, contatos diários atualizados, visibilidade expandida e a promessa de um ambiente organizado e seguro para fechar atendimentos de elevado valor monetário.
O que o pacote oferece:
• Oportunidades de trabalho nacionais e internacionais diárias;
• Castings exclusivos com agenciadores do Brasil, Europa e Oriente Médio;
• Networking direto com modelos e profissionais do mercado VIP;
• Acesso a 3 grupos com presença direta de clientes pagadores
Lado oculto da rede
Por trás do apelo comercial agressivo da “Black Friday”, o trio de administradoras — sendo uma operando a partir de Curitiba e duas de Belo Horizonte — construiu uma engrenagem fria, rentável e altamente disciplinada.
Mapeadas pela coluna Na Mira, as comunidades reunidas no ecossistema conectam centenas de garotas a uma rede de 15 a 30 agenciadores parceiros. Em fóruns de pico, como o lendário Casting Elite World, um único grupo chega a abrigar mais de 600 integrantes.
O grupo Casting Elite World atua como o coração operacional e a vitrine máxima do negócio. Nele são anunciados os serviços mais cobiçados, com cachês que atingem a cifra de R$ 10 mil por programa, concentrados principalmente nos eixos VIP de São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, além de rotas de exportação para Dubai e capitais europeias.
As exigências para disputar as vagas são inflexíveis:
- Padrão estético severo: exige-se que as candidatas sejam “perfeitas de rosto e corpo”, dentro do padrão estético de modelo internacional ou figura pública;
- Restrição a intervenções visíveis: há proscrição absoluta contra tatuagens visíveis ou intervenções estéticas artificiais marcantes. A “aparência natural” é o principal ativo vendido à clientela de altíssimo poder aquisitivo;
- Cobrança contínua: o ingresso e a manutenção do cadastro dependem do pagamento recorrente de taxas de acesso (cujo valor regular é fixado em R$ 300 por garota), convertendo a plataforma em um intermediário indispensável frente à impossibilidade das agências exporem suas estruturas publicamente.
Tortura psicológica e extorsão
Se os grupos de seleção funcionam como a vitrine reluzente do negócio, o grupo denominado Tribunal opera como uma verdadeira câmara de tortura psicológica e controle social. A investigação revela que a estrutura imita a dinâmica de um juizado sumário paralelo, sem direito à ampla defesa, onde as decisões são deliberadas de forma estritamente monocrática pelo trio de gestoras.
O monitoramento apontou que o “Tribunal” é frequentemente acionado para sufocar questionamentos legítimos. Críticas à cobrança recorrente das taxas, cobranças por transparência ou a tentativa de fechar atendimentos diretamente com clientes captados nos grupos — contornando a comissão dos agenciadores parceiros — são punidas com exclusão imediata sob a rotulagem de “traição”.
Até mesmo denúncias de abusos ou calotes praticados por agências parceiras costumam ser revertidas contra as próprias garotas para proteger os acordos comerciais das administradoras.
Tribunal
Nesse engrenagem, o Tribunal trabalha articulado com a Black List Nacional/Internacional. Diferente das listas negras convencionais usadas no mercado para alertar contra clientes perigosos ou extorquistas, o cadastro da rede foi instrumentalizado para aniquilar reputações.
Uma modelo ouvida sob condição de anonimato revelou que ter o nome inclutuído na lista negra equivale ao encerramento definitivo da carreira: dados pessoais, contatos e fotos são distribuídos para agências no Brasil, na Europa e no Oriente Médio sob rotulagens como “não confiável” ou “problemática”.
A reabilitação no circuito fica condicionada ao pagamento de extorsões financeiras adicionais ou à submissão a termos de trabalho unilaterais impostos pelas donas da rede.
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