O Ibovespa hoje opera no campo negativo sob os efeitos da forte reprecificação dos ativos brasileiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse cenário, a decisão sobre juros do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, acrescenta um novo fator de influência sobre os mercados.
Depois de acumular perdas, o principal índice da B3 deve continuar refletindo as expectativas dos investidores para a condução das contas públicas a partir de 2027, em um ambiente de maior sensibilidade às oscilações dos juros, do câmbio e dos fluxos de capital estrangeiro.
Às 13h30 (de Brasília), o Ibovespa ampliava as perdas e recuava 2,61%, aos 171.169,86 pontos. Magazine Luiza (MGLU3), Vamos (VAMO3) e Azzas (AZZA3) lideram as perdas, com baixas de 13,06%, 11,83% e 9,94%, respectivamente.
As ações do Santander Brasil também afundam cerca de 5% com a leitura do mercado sobre o balanço da companhia referente ao terceiro trimestre. O banco registrou lucro gerencial recorrente de R$ 2,9 bilhões no período, queda de 28% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Na comparação com o segundo trimestre, a retração foi de 4,3%.
O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido (ROAE) caiu para 11,9%, ante 12,5% no segundo trimestre e 17,5% um ano antes. Na divulgação dos resultados, o Santander afirmou que manteve “uma gestão disciplinada do balanço e dos riscos em um cenário de crédito que permanece desafiador”.
O dólar hoje, por sua vez, vira o sinal e passa a subir 0,39% frente ao real, a R$ 5,37 na venda.
A reação negativa do pregão reflete o nível de incerteza fiscal após a reeleição do presidente Lula. Segundo o jornal O GLOBO, a equipe econômica estuda recriar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para tributar aplicações que contam com benefícios fiscais.
No Brasil, os investidores repercutem o Índice de Confiança da Indústria (ICI) de outubro. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o índice cai 0,3 pontos em outubro, a 91,0 pontos. O dado econômico permite avaliar a percepção dos empresários sobre as condições atuais de produção e as expectativas para os próximos meses, oferecendo sinais sobre o ritmo da atividade industrial em um ambiente de juros elevados.
Ainda no ambiente doméstico, fica no radar os desdobramentos da fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL). Flávio desembarcou com a mulher, Fernanda Bolsonaro, e as filhas pouco depois das 10h30, pelo horário de Brasília, em Miami, nos Estados Unidos.
Derrotado nas urnas no último domingo (25), o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, a mulher e as duas filhas decolaram da Argentina rumo aos EUA na noite de terça-feira. Alvo de investigações criminais no Supremo Tribunal Federal (STF) e ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro pode enfrentar condenação penal ou inelegibilidade.
Fed decide juros nos EUA
No exterior, o principal evento do dia será a decisão de juros do Fed, prevista para as 15h. Atualmente, a taxa básica norte-americana está no intervalo de 3,75% a 4% ao ano, e o mercado financeiro acompanhará tanto a decisão quanto o comunicado da autoridade monetária em busca de indicações sobre a trajetória dos juros nos próximos meses.
Às 15h30, o presidente do Fed, Kevin Warsh, vai realizar uma entrevista coletiva, que promete render comentários sobre a persistência da inflação e a resistência da atividade econômica. A perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos tende a sustentar os rendimentos dos Treasuries (títulos de dívida dos EUA) e a atratividade dos ativos americanos, aumentando a pressão sobre moedas e bolsas de países emergentes.
“O mercado já precifica mais de 90% de probabilidade de manutenção dos juros nessa reunião, percentual que vem aumentando nos últimos dias. Tivemos recentemente a divulgação do CPI, índice de inflação ao consumidor dos Estados Unidos, que veio acima do esperado. Por outro lado, o mercado de trabalho continua relativamente estável e resiliente, embora já apresente sinais de desaceleração”, afirma Juliana Benvenuto, coordenadora de investimentos e conteúdo da Avenue.
Ainda no mercado de energia, o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE) aumentaram 21,563 milhões de barris na semana passada, a 484,605 milhões de barris, informou hoje o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês). Analistas ouvidos pelo Wall Street Journal previam queda de 700 mil barris.
No calendário corporativo internacional, Alphabet (GOGL34) e Microsoft (MSFT34) divulgam seus balanços trimestrais após o fechamento das bolsas americanas. Os resultados devem oferecer novas informações sobre os investimentos em inteligência artificial (IA), a expansão dos serviços de computação em nuvem e as perspectivas de rentabilidade das gigantes de tecnologia, fatores que podem influenciar o desempenho do setor em Wall Street.
Além disso, o mercado repercute também a decisão da Anthropic em protocolar a sua proposta para a oferta pública primária de ações (IPO, na sigla em inglês) na SEC, órgão dos Estados Unidos equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) brasileira.
No prospecto da operação, a empresa informa que teve prejuízo de US$ 80,7 bilhões e receitas de US$ 16,29 bilhões no primeiro semestre deste ano – no mesmo período de 2025, a receita havia sido de US$ 1,2 bilhão. A empresa atribuiu o elevado prejuízo a “um ajuste contábil relacionado a acordos de financiamento”.
Petróleo sobe com riscos à oferta no Oriente Médio
Os contratos futuros de petróleo avançam nesta quarta-feira, após as quedas das duas sessões anteriores. Às 13h30 (de Brasília), o WTI para dezembro avançava 2,79% na Nymex, a US$ 102,67 o barril, enquanto o Brent para janeiro subia 2,38% na ICE, a US$ 11195 o barril.
As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) vão na direção contrária e acompanham do mau humor dos investidores locais. No mesmo horário, os papéis ordinários e preferenciais recuam 0,12% e 0,38%, respectivamente.
Já as ações da Vale (VALE3) recuam 0,76%, a R$ 62,52. O comportamento dos ativos destoam da alta de 1,05% do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para janeiro de 2027.
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