Eleito para o quarto mandato, Luiz Inácio Lula da Silva chorou. Prestes a completar 81 anos, na terça-feira, 27, o presidente fez a campanha mais difícil e acirrada dos últimos tempos e por pouco não perdeu para Flávio Bolsonaro (PL). A virada histórica ocorreu quando aliados de Lula se reuniram em um hotel de São Paulo para acompanhar a apuração dos votos já não escondiam o desespero.
Lula chegou ao hotel perto das 20 horas. Cumprimentou apoiadores e logo se sucedeu à sala “Bonadei”, de 66 metros, no subsolo, com a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja , o vice Geraldo Alckmin e coordenadores de sua campanha. Ministros, deputados e dirigentes do PT estavam em outra sala, mas logo foram chamados para se juntar a ele.
Foram momentos de muita tensão. Na hora em que Lula passou Flávio em Minas Gerais pôde-se ouvir gritos de “vai virar, vai virar”. A explosão de alegria aconteceu às 21h10, quando o petista foi matematicamente reeleito. Parecia uma catarse. Lula obteve 51,79% e Flávio, 48,21%.
Agora, porém, o presidente terá o desafio de reconciliar um País dividido há pelo menos dez anos, com uma racha que vem se agravando nos últimos tempos com o fortalecimento da extrema-direita no mundo.
Lula só conseguiu virar a partida porque seus apoiadores tomaram a campanha nas mãos e foram às ruas contra a volta do bolsonarismo. O “Exército do Lula”, canal de WhatsApp que reuniu mais de 10 milhões de seguidores, foi comandado por André Janones (Rede-MG), um deputado que não é do PT e agiu sem a cooperação do partido.
Apesar da vitória, tanto Lula quanto o PT admitem que precisam renovar não apenas o discurso como suas ações. Além disso, há uma racha no partido.
Na véspera deste segundo turno, por exemplo, mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp com deputados federais do PT escancararam o problema. Logo após um parlamentar postar um aviso do presidente do PT, Edinho Silva , informando que Lula acompanhava a apuração dos votos em um hotel da capital paulista – e convidando todos para estar ao lado dele –, vieram as estocadas.
“O Edinho entrou na campanha do segundo turno?”, perguntou um deputado, numa referência ao presidente do PT, que também foi o coordenador-geral da campanha. “kkkk. Não entendi”, respondeu outro. O primeiro interlocutor disse, então, não ter visto Edinho preocupado com a campanha de Lula no primeiro turno. “Só vi ele (sic) preocupado com a campanha dele”, fustigou, lembrando que, na primeira rodada, não havia nem mesmo material para distribuir. E concluiu: “Defendo repensarmos a direção do PT”.
As mensagens mostram o clima de divisão que tomou conta do partido. Agora, porém, todas as divergências serão arquivadas. Ao menos por enquanto, o PT é só festa.
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