Representantes do setor empresarial cumprimentaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória nas urnas e aproveitaram para cobrar reformas, equilíbrio fiscal e medidas de aumento da competitividade. Entidades de varejo, indústria, serviços, telecomunicações e bancos também defenderam união nacional, estabilidade institucional e avanços regulatórios em suas áreas de atuação.
Entre as demandas, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) defendeu a preservação da desoneração da cesta básica prevista na reforma tributária, para ampliar o acesso à alimentação e reduzir o custo de vida. A entidade também pediu o fim das bets, pelos impactos que atribui à atividade sobre o endividamento das famílias e a renda destinada à alimentação, além da manutenção das regras do vale-alimentação e vale-refeição para reduzir custos.
“A Abras coloca-se à disposição para contribuir com uma agenda que estimule a competitividade, a geração de empregos e a eficiência no abastecimento, garantindo à população produtos de qualidade a preços acessíveis”, afirmou o presidente da entidade, João Galassi. A associação também defendeu o debate sobre o fim da reeleição para cargos do Executivo e reconheceu a participação de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa.
Já o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) ressaltou a importância de manter um diálogo “aberto, técnico e permanente” com o governo, sem apresentar demandas específicas. A Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) deu ênfase à superação das divisões políticas.
“O Brasil é maior do que qualquer disputa. Desejamos que este novo mandato seja marcado pela capacidade de governar para todos”, declarou o diretor-geral da entidade, Paulo Petroni, que também defendeu a harmonia entre os Poderes, o respeito às instituições e a valorização de trabalhadores e empreendedores.
A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) parabenizou Lula e destacou o compromisso do Brasil com a transparência eleitoral. “Confiamos em uma nova gestão que olhe para todos os cidadãos, com especial atenção ao desenvolvimento da indústria, da economia e à geração de empregos”, afirmou o presidente-executivo, Jaime Recena.
Combustíveis e siderurgia
No setor de combustíveis, o presidente-executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Augusto Salomon, defendeu intensificar o combate ao crime organizado, diante de investigações que apontaram o uso de postos para lavagem de dinheiro e fraudes fiscais. “Esperamos que o próximo governo intensifique o combate a essas atividades, com maior integração entre os órgãos de fiscalização e segurança pública, para proteger os consumidores e assegurar condições justas de concorrência”, afirmou, em nota.
Para 2027, Salomon citou como prioridades a implementação da Lei do Combustível do Futuro, os desdobramentos do RenovaBio, as regras tributárias para a Zona Franca de Manaus no contexto da reforma tributária e a discussão sobre a chamada “bomba branca”.
O presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Lopes, afirmou que a agenda da indústria siderúrgica independe do governo e destacou a relação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), especialmente na defesa comercial. No campo macroeconômico, ele apontou o equilíbrio fiscal, a redução dos juros e a recuperação da competitividade como prioridades.
“Para a retomada do crescimento econômico de forma sustentada, a condição básica é a questão fiscal. O segundo grande ponto é a recuperação da competitividade sistêmica, na qual a grande questão é a redução do custo Brasil”, afirmou.Lopes avaliou que o Congresso com o qual Lula terá de negociar tende a ser mais desafiador do que no terceiro mandato do petista, embora possa haver convergência conforme as pautas. Sobre a decisão de Zanin, disse que a medida deve gerar “algum nível de questionamento”.
Telecomunicações e bancos
A Conexis, associação que representa Algar, Claro, Sercomtel, Vivo e TIM, parabenizou Lula e o vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin, e reiterou a disposição de manter o diálogo com o governo. Entre as pautas do setor, o presidente da entidade, Marcos Ferrari, destacou a soberania digital.
“A soberania é um dos pontos importantes do conjunto de propostas que enviamos aos candidatos. E, nessa linha, temos convergência com as propostas do presidente reeleito”, afirmou.No setor financeiro, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) colocou sua “capacidade técnica à disposição” do presidente eleito e da equipe econômica para contribuir com a agenda de temas bancários.
A Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que representa instituições de médio porte, também manifestou disposição para dialogar com o novo governo sobre pautas de interesse do País.
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