A vitória histórica de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras provocou uma onda de manifestações internacionais, que atravessou continentes e ultrapassou fronteiras ideológicas. Da Europa à América Latina, da Ásia à África, presidentes, primeiros-ministros e dirigentes de organismos internacionais reconheceram a reeleição do petista, celebraram a democracia brasileira e defenderam a continuidade das relações com o país.
Entre os que parabenizaram Lula estão líderes progressistas, como Pedro Sánchez, da Espanha, Claudia Sheinbaum, do México, e Cyril Ramaphosa, da África do Sul, mas também representantes da direita e do conservadorismo, como José Antonio Kast, do Chile, Keiko Fujimori, do Peru, Santiago Peña, do Paraguai, e Narendra Modi, da Índia.
O movimento contrasta com o silêncio de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, que não haviam felicitado publicamente Lula até a manhã desta segunda-feira (26). O reconhecimento internacional ocorre enquanto Flávio Bolsonaro se recusa a admitir a derrota e anuncia que pretende pedir a anulação do resultado.
Lula conquistou seu quarto mandato presidencial com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio Bolsonaro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Europa celebra democracia e Sánchez anuncia virada progressista
Na Europa, uma das declarações mais contundentes partiu do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que vinculou a vitória de Lula à disputa política internacional e ao cenário eleitoral de seu próprio país.
“Grande vitória de Lula! O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha. A virada do progressismo global acaba de começar”, escreveu Sánchez nas redes sociais, em referência também às eleições espanholas previstas para 29 de novembro.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi igualmente enfática. “A democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”, afirmou, destacando que a parceria entre a União Europeia e o Brasil continuará sendo fortalecida. Von der Leyen defendeu a cooperação em favor do comércio livre, de uma ordem internacional baseada em regras e de compromissos climáticos ambiciosos.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, conversou por telefone com Lula e ressaltou que a União Europeia e o Brasil são parceiros sólidos. Ele reafirmou o compromisso de aprofundar as relações bilaterais e enfrentar conjuntamente os desafios internacionais.
Na França, Emmanuel Macron parabenizou Lula e destacou a importância da parceria estratégica franco-brasileira. O presidente francês afirmou que os dois países ainda têm muito a construir juntos e defendeu o fortalecimento da cooperação em favor de “um mundo mais justo”.
China reconhece resultado e Índia celebra reeleição
Na Ásia, o governo chinês reconheceu oficialmente a vitória de Lula nesta segunda-feira, por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun.
Durante entrevista coletiva em Beijing, Guo afirmou que a China tomou conhecimento da declaração do TSE sobre o resultado e parabenizou o presidente brasileiro. Também manifestou disposição para continuar avançando na construção de uma comunidade de futuro compartilhado entre China e Brasil.
Questionado sobre a intenção de Flávio Bolsonaro de pedir a anulação das eleições, o porta-voz foi categórico: “A China respeita a escolha do povo brasileiro.”
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, também reconheceu a vitória de Lula e manifestou interesse em aprofundar as relações bilaterais. Em publicação nesta segunda-feira (26), o líder alemão destacou a importância do processo eleitoral brasileiro e da parceria estratégica entre os dois países.
“O Brasil, a maior democracia da América Latina, fez sua escolha. Parabenizo o vencedor das eleições, Lula. Estou ansioso para aprofundarmos juntos a parceria estratégica entre Alemanha e Brasil”, escreveu Merz.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também enviou felicitações a Lula, a quem chamou de “querido amigo”. Em comunicado oficial, Modi destacou o interesse em aprofundar a parceria estratégica bilateral, fortalecer a cooperação entre os países do Sul Global e trabalhar por um mundo mais inclusivo, equitativo e sustentável.
Na Coreia do Sul, o presidente Lee Jae-myung classificou Lula como um “amigo especial e companheiro”. O líder sul-coreano comemorou a reeleição, manifestou confiança no papel que o brasileiro continuará desempenhando e expressou o desejo de reencontrá-lo.
Austrália celebra vitória de Lula e reforça parceria com o Brasil
Na Oceania, o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, também celebrou a reeleição de Lula, a quem chamou de amigo. O australiano publicou uma fotografia ao lado do presidente brasileiro e destacou os laços democráticos entre as duas nações.
“Parabéns ao meu amigo Lula pela vitória nas eleições. A Austrália e o Brasil são grandes democracias, e continuaremos trabalhando juntos e fortalecendo nossa parceria”, escreveu Albanese.
A manifestação reforça o alcance internacional das felicitações ao petista, que recebeu mensagens de governantes de diferentes orientações políticas e regiões do planeta.
África do Sul vê vitória de Lula como triunfo do Sul Global
Na África, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, divulgou uma mensagem de forte significado político, relacionando a reeleição de Lula ao papel do Brasil no cenário internacional.
“Esta vitória terá repercussões para além das fronteiras do Brasil. É uma vitória para o Sul Global e para as forças progressistas de todo o mundo”, declarou Ramaphosa em comunicado oficial da Presidência da África do Sul.
O presidente também reafirmou o compromisso de fortalecer a cooperação bilateral e a atuação conjunta em organismos multilaterais, especialmente no Brics, grupo do qual Brasil e África do Sul fazem parte.
Ramaphosa destacou ainda a importância da solidariedade internacional e da construção de uma ordem mundial mais justa, fundamentada no respeito ao direito internacional.
Até presidentes conservadores da América Latina parabenizam Lula
Na América Latina, a repercussão da vitória brasileira revelou um dado politicamente significativo: presidentes identificados com a direita, inclusive adversários ideológicos de Lula, reconheceram o resultado e enviaram felicitações ao petista.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, telefonou pessoalmente para Lula. Depois, anunciou nas redes sociais que os dois países continuarão trabalhando juntos para fortalecer a integração econômica e combater o crime organizado.
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, também parabenizou o brasileiro e destacou a importância da cooperação entre os países, especialmente em relação à integração regional e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, saudou o povo brasileiro pela jornada democrática e defendeu a continuidade da agenda de integração e desenvolvimento. Na Bolívia, Rodrigo Paz destacou os laços históricos entre os países e o compromisso com uma cooperação mais estreita.
Daniel Noboa, presidente do Equador, também reconheceu a vitória e afirmou que os países latino-americanos compartilham desafios e têm muito a ganhar quando trabalham juntos. No Panamá, José Raúl Mulino felicitou Lula e o povo brasileiro, reafirmando o interesse em manter a colaboração bilateral.
As manifestações de líderes conservadores contrastam com a postura adotada por Javier Milei, que não havia parabenizado Lula e compartilhou publicações questionando o processo eleitoral brasileiro.
México, Uruguai e Cuba comemoram vitória
Entre os governos progressistas latino-americanos, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, celebrou o resultado com uma mensagem direta: “Viva a democracia, o povo do Brasil venceu. Parabéns, presidente Lula!”
No Uruguai, Yamandú Orsi também telefonou para o brasileiro, a quem chamou de amigo, para parabenizá-lo pela vitória e destacar a importância da celebração democrática representada pelas eleições.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou a reeleição como histórica e afirmou que o resultado assegura a continuidade de um caminho de paz, soberania e justiça social sob a liderança de Lula.
Na Guatemala, Bernardo Arévalo destacou a importância da democracia e do fortalecimento dos vínculos entre os países. O presidente da República Dominicana, Luis Abinader, também felicitou o petista, assim como o presidente da Guiana, Irfaan Ali, que defendeu maior integração regional, comércio e cooperação para o desenvolvimento sustentável.
As manifestações chegaram ainda ao Caribe. O primeiro-ministro das Bahamas, Philip Davis, destacou o papel do Brasil no enfrentamento das mudanças climáticas, enquanto a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, celebrou o quarto mandato de Lula e ressaltou a importância das políticas de justiça social.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, também parabenizou o presidente brasileiro e defendeu o aprofundamento das relações comerciais, da cooperação ambiental e da parceria econômica entre os dois países.
Ex-presidentes comemoram e Petro fala em derrota do fascismo
A reeleição de Lula também mobilizou ex-chefes de Estado com influência na política latino-americana.
A ex-presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner comparou a mobilização eleitoral brasileira a um “autêntico 17 de Outubro eleitoral”, em referência à data histórica do peronismo. Ela parabenizou Lula por sua capacidade de mobilizar os brasileiros para conquistar a vitória.
Alberto Fernández, também ex-presidente da Argentina, recordou a trajetória política do petista, desde o período em que esteve preso até seu retorno à Presidência, e celebrou o quarto mandato.
Na Colômbia, o ex-presidente Gustavo Petro adotou um discurso contundente. Em publicação nas redes sociais, afirmou que a vitória de Lula havia detido o fascismo no Brasil e representava um triunfo para a justiça social e a soberania nacional.
“Este é um triunfo para a humanidade e uma derrota estratégica para as forças da escuridão”, escreveu Petro.
O ex-presidente chileno Gabriel Boric também comemorou o resultado e agradeceu a Lula por sua persistência política e pelo compromisso com a humanidade. Em mensagem afetuosa, afirmou que o brasileiro ajudou a manter viva a esperança de um mundo melhor.
Trump silencia enquanto opositores nos EUA celebram
Nos Estados Unidos, a vitória de Lula recebeu manifestações de figuras importantes do Partido Democrata, apesar da ausência de felicitações públicas do presidente Donald Trump.
O senador Bernie Sanders parabenizou o brasileiro por uma “extraordinária vitória na reeleição” e destacou sua atuação em defesa dos trabalhadores e da democracia.
O deputado democrata Ro Khanna também celebrou o resultado e afirmou que Trump deveria respeitar a decisão dos eleitores brasileiros, sem tentar comprometer o processo eleitoral.
Já o governador da Califórnia, Gavin Newsom, um dos principais adversários políticos de Trump, felicitou Lula e manifestou apoio à defesa da democracia, à proteção ambiental e aos direitos dos trabalhadores.
Enquanto isso, Donald Trump Jr., filho do presidente norte-americano, criticou a prorrogação do horário de votação determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), decisão utilizada por Flávio Bolsonaro para questionar o resultado das urnas.
Até a manhã desta segunda-feira, Trump não havia divulgado uma mensagem pública reconhecendo a vitória de Lula. Milei, por sua vez, também não havia enviado felicitações ao brasileiro.
A amplitude das manifestações internacionais evidencia que o reconhecimento da reeleição de Lula ultrapassou as afinidades ideológicas. De presidentes progressistas a governantes conservadores, as mensagens destacaram a importância da continuidade das relações com o Brasil.
Para além dos cumprimentos diplomáticos, parte das lideranças, especialmente na Europa, na África e na América Latina, atribuiu ao resultado um significado político internacional, associando a vitória do petista à defesa da democracia, do multilateralismo e da cooperação entre os países.
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