Por Igor Mello
As cidades com denúncias de supressão de transporte público impedindo a chegada do eleitor às urnas concentram quase 10% do eleitorado brasileiro, mostra cruzamento de dados feito pelo ICL Notícias. Nos 27 municípios analisados, o presidente Lula (PT) venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) por uma margem de 1,1 milhão de votos.
Os principais casos ocorreram na cidade de São Paulo e em capitais nordestinas, com destaque para Salvador (BA). Também há um foco de denúncias na Ilha do Marajó, região que concentra 17 municípios no Pará. Há ainda relatos em cidades do Rio de Janeiro.
O padrão é claro: Lula venceu em 24 dos 27 municípios com denúncias de supressão de transportes. Flávio Bolsonaro venceu em três: Guarulhos (SP), Petrópolis (RJ) e São Gonçalo (RJ).
As 27 cidades, somadas, têm mais de 15,5 milhões de eleitores aptos a votarem neste segundo turno. O número representa 9,8% do total do Brasil.
Mandado de prisão contra secretário
Em Salvador, a retenção de ônibus nas garagens levou o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) a mandar a Polícia Federal prender o secretário de Mobilidade da capital baiana, Pablo Souza, após o PT pedir a detenção por falta de ônibus em circulação na cidade.
Antes, o TRE-BA já havia determinado o restabelecimento imediato de 100% da frota de ônibus, com frequência equivalente à dos dias úteis e gratuidade para os passageiros. A decisão, assinada pelo desembargador Maurício Kertzman Szporer, também estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento para a prefeitura e cada empresa de transporte coletivo.
A medida foi tomada após a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, denunciar que a circulação de ônibus estava reduzida em mais de 50%. Durante uma fiscalização, o Procon-BA encontrou 55 veículos parados na garagem da empresa OT Trans, apesar de estarem aptos a circular.
Na cidade de São Paulo, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) denunciou à Justiça Eleitoral que apenas 60% da frota de ônibus estaria circulando neste domingo, apesar de uma decisão judicial que determinou a operação integral dos veículos previstos para dias úteis.
Segundo informações divulgadas pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, eleitores de bairros como Itaim Paulista, na zona leste, e de regiões do centro, da avenida Paulista e da zona norte relataram longas esperas e dificuldades para encontrar ônibus.
A coligação Brasil Pronto pra Mais solicitou que a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans restabelecessem imediatamente a frota e apresentassem informações sobre a quantidade de veículos em circulação.
Na sexta-feira (23), a Justiça Eleitoral havia determinado a operação de 100% da frota dos dias úteis, estabelecendo multa individual de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ao presidente da SPTrans em caso de descumprimento injustificado.
A SPTrans afirmou que cumpriria a determinação, mas alegou dificuldades para mobilizar trabalhadores em prazo reduzido. O planejamento inicial previa 6,9 mil ônibus nas ruas, quantidade 40% superior à de um domingo habitual.
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