Deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em novembro do ano passado, a 4ª fase da Operação Sucessione entra na fase final e caminha para sentença na Justiça de Mato Grosso do Sul.
A ação mirou a cúpula de organização criminosa que explorava o jogo do bicho no Estado e prendeu o ex-deputado Roberto Razuk, que morreu na semana passada, e os filhos: o ex-deputado Roberto Razuk Filho — o Neno Razuk —, Rafael e Jorge.
Em publicação no Diário da Justiça, o titular da 4ª Vara Criminal de Competência Residual de Campo Grande, juiz José Henrique Kaster, abriu prazo de cinco dias para as defesas dos réus apresentarem as alegações finais.
Após isso, o processo estará pronto para que o juiz profira a sentença, decidindo pela condenação ou absolvição dos réus.
Investigação chega aos líderes: clã Razuk
A 4ª Fase da Operação Successione teve como foco a desarticulação do grupo criminoso ligado ao clã Razuk, apontado pelas investigações como responsável por tentar dominar a exploração do jogo do bicho em Campo Grande e no interior de Mato Grosso do Sul.
As investigações do Gaeco apontam que Roberto Razuk — que faleceu enquanto cumpria prisão domiciliar — era o chefe do grupo criminoso que explora o jogo do bicho no Estado.

O patriarca do clã Razuk era quem detinha a decisão final sobre as questões mais relevantes do grupo, inclusive estando acima na hierarquia em relação ao deputado estadual Neno Razuk.
O papel de Roberto pai era decidir sobre questões como expansão do grupo, investimentos e articulações importantes.
As investigações do Gaeco apontaram que, para dominar a jogatina em MS, os Razuk também teriam supostamente praticado outros tipos de crimes violentos, que vão de roubos a assassinatos.
Já Neno é apontado pelo Gaeco como o líder operacional do grupo. No entanto, a investigação reforça que tudo tinha que passar pelo aval do pai.
Jorge e Rafael Razuk — irmãos de Neno —, que também foram presos, exerciam grande influência na alta cúpula da organização criminosa.
A família, porém, nega as acusações: “É falso e inexistente qualquer ato de violência praticado ou por nós planejado, no Mato Grosso do Sul ou em outro Estado. Nossa família não se envolve com qualquer espécie de violência, roubos ou práticas criminosas”, disseram em nota emitida logo após a prisão do patriarca, no fim do ano passado.
Após perder o mandato de deputado estadual por questões partidárias, em maio, Neno Razuk foi detido no dia 2 de agosto, na região de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Havia um mandado de prisão em aberto contra ele no Brasil e um pedido em análise para inclusão de seu nome na lista da Interpol (Difusão Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal).
Desde então, o ex-parlamentar tenta, sem sucesso, conseguir a liberdade em sucessivos recursos apresentados à Justiça. Atualmente, são dois HCs aguardando análise no STJ (Superior Tribunal de Justiça).
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