O vereador Fábio Silva Costa, do Rio de Janeiro, foi preso em Londrina, no Paraná, durante a Operação Backbone, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira para combater o monopólio imposto pelo Comando Vermelho (CV) sobre o fornecimento de internet em comunidades do Rio. Segundo as informações da investigação, o parlamentar é apontado como dono de provedores de internet ligados ao esquema investigado.
Eleito para o primeiro mandato na Câmara Municipal do Rio pelo Podemos, Fábio Silva se apresenta no site oficial da Casa como empresário e gestor comunitário da Zona Norte. A biografia destaca sua atuação como embaixador do projeto “Onda Carioca”, no Complexo do Chapadão.
Na eleição em que conquistou a vaga de vereador, o parlamentar declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1.618.612. Entre os bens informados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estavam participações societárias, dinheiro em espécie, crédito pela venda de cotas de uma empresa e uma joia, quadro ou objeto de arte recebido por herança.
Encontro com políticos no Complexo do Alemão
Nas redes sociais, Fábio Silva publicou registros de encontros com lideranças e figuras políticas. Em uma das publicações, relatou uma reunião com moradores e lideranças do Complexo do Alemão ao lado de Luciano Vieira, candidato a deputado federal, e João Drumond, que pretendia concorrer a deputado estadual.
A candidatura de João Drumond, neto do contraventor Luizinho Drumond, foi barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). A Corte negou o registro em agosto, em um julgamento que analisou suspeitas ou indícios de ligação com organizações criminosas apontados pelo Ministério Público Eleitoral. À época, Drumond aguardava recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Controle da internet pelo tráfico
A Operação Backbone investiga uma estrutura ligada ao Comando Vermelho que, segundo a Polícia Federal, usa ameaças e violência para impor o monopólio dos serviços de internet em comunidades do Rio. A apuração também aponta o uso de empresas provedoras para lavar dinheiro obtido com a atividade.
De acordo com a investigação, integrantes da facção cortavam cabos e incendiavam caixas de distribuição de operadoras concorrentes, além de impedir reparos, para forçar moradores e comerciantes a contratar serviços vinculados ao grupo. Provedores autorizados a atuar nas áreas dominadas também seriam obrigados a pagar taxas à organização criminosa.
A operação prevê mandados de prisão e de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e valores e da suspensão de atividades econômicas de empresas investigadas. A Polícia Federal também informou que serão adotadas medidas junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com previsão de providências para preservar a continuidade do serviço aos moradores.
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