As chuvas que atingem Mato Grosso do Sul elevaram o nível de rios e ampliaram a preocupação com comunidades ribeirinhas. No Rio Dourados, imagens aéreas mostram uma cheia considerada atípica para outubro em Fátima do Sul. Já em Miranda, o avanço das águas atingiu residências de duas famílias e deixou o rio a apenas 20 centímetros da cota de emergência.
Em Fátima do Sul, registros de drone feitos pela página Planet Hobby mostram o volume elevado do Rio Dourados após as precipitações de setembro e das primeiras semanas de outubro. As imagens revelam a expansão das águas sobre as margens.
Cláudio Justino, proprietário da página e morador do município, relata que uma cheia dessa proporção costuma ocorrer entre fevereiro e março, próximo ao Carnaval, quando as chuvas de verão acumuladas aumentam o volume do rio. Neste ano, segundo ele, as precipitações anteciparam o transbordamento para a primavera.
O monitoramento do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) também identificou elevação do Rio Dourados. Na estação localizada no município de Dourados, o nível passou de 2,55 metros na terça-feira (13) para 2,85 metros na quarta-feira (14). Nesse ponto, a medição permanecia abaixo da cota de alerta, de 3,10 metros, e da cota de emergência, de 4 metros. Os números se referem à estação de Dourados, enquanto as imagens da cheia foram registradas em Fátima do Sul.
A situação mais próxima do limite de emergência foi registrada no Rio Miranda. Na tarde de quarta-feira, o nível atingiu 6,80 metros, diante de uma cota de emergência de 7 metros. O Imasul emitiu aviso de evento crítico, considerando o avanço das águas sobre instalações próximas ao rio e a previsão de novas chuvas.
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Miranda, Flávio Machado, duas famílias ribeirinhas precisaram deixar suas residências após a entrada da água. Elas foram encaminhadas para um espaço seguro e recebem acompanhamento da assistência social. Entre dez e 15 famílias estão sendo monitoradas devido à possibilidade de novos alagamentos.
A subida do Rio Miranda ocorreu rapidamente. Na segunda-feira (12), a medição era de 5,95 metros. No dia seguinte, chegou a 6,49 metros e continuou avançando na quarta-feira. A cota de alerta da estação é de 6 metros.
Assim como o morador de Fátima do Sul, o coordenador da Defesa Civil considera o cenário incomum para esta época. Aos 49 anos e tendo vivido sempre em Miranda, Flávio afirma não se lembrar de uma cheia tão expressiva em outubro.
A previsão de continuidade das pancadas na bacia do Rio Miranda pelo menos até esta quinta-feira (15) mantém a atenção das autoridades. O Imasul acompanha os níveis dos rios para subsidiar as ações de prevenção e atendimento nas áreas ameaçadas.
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