O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e o advogado Willer Tomaz teriam compartilhado uma conta bancária até poucos dias depois de o criminalista ser alvo de uma etapa da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes e desvios no INSS. A suspeita surgiu a partir do acesso a mensagens de e-mail de uma funcionária de Tomaz. A informação foi publicada pelo UOL. Duas fontes da Polícia Federal e uma da Procuradoria-Geral da República confirmaram ao Estadão neste sábado, 10, a existência da correspondência, mas não disponibilizaram cópia.
Tomaz disse jamais ter compartilhado conta com Flávio. O senador afirmou que “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas”.
No e-mail, pedido para excluir a ‘conta Flávio Bolsonaro’ do ‘usuário master’
No curso do inquérito sobre as fraudes na Previdência, agentes federais fizeram buscas no escritório de Tomaz e abriram documentos arquivados em uma conta do iCloud. Entre os achados, a PF teria localizado e-mails entre o escritório e um banco.
Uma correspondência fazia menção a uma conta de uma holding sediada na Ilha da Madeira que teria sido usada para ocultar parte de valores desviados dos aposentados. A empresa estaria ligada a Willer Tomaz. A mensagem foi enviada por uma funcionária do escritório do criminalista, Fayla Zulmira Menezes, em 22 de agosto de 2025. No texto ela pedia ao banco que fosse excluída a ‘conta Flávio Bolsonaro’ do ‘usuário master’ (ligado ao advogado).
“Não existe e-mail de minha parte e não existe essa conta”, afirma Willer Tomaz. “Eu não sou interlocutor de e-mail, não estou enviando, nem recebendo e-mail. Inventam fatos criando ilações.”
A solicitação para retirada da ‘conta Flávio’ teria, para investigadores, o objetivo de eliminar rastros que pudessem indicar ligação do senador com o advogado citado no inquérito. A PF não chegou a uma conclusão sobre o material que resgatou no arquivo apreendido. Os agentes consideram importante ampliar o rastreamento e a investigação.
Na Operação Sem Desconto, Tomaz é citado pela PF como ‘hub financeiro, patrimonial e logístico’ a serviço de outros investigados como supostos beneficiários de descontos ilegais. A operação investiga fraudes e desvios de R$ 6,3 bilhões de aposentados do INSS, via descontos promovidos ilegalmente por entidades e associações.
Tomaz foi alvo de mandados de busca e apreensão dia 4 de agosto, quando passou a ser investigado por, supostamente, lavar recursos desviados da Previdência a mando do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Weverton Rocha rechaça suspeitas sobre sua conduta. Ele afirma que está à disposição da Justiça para todos os esclarecimentos.
Campanha de Flávio diz se tratar de fake news em pleno período eleitoral
O Estadão questionou a campanha de Flávio Bolsonaro sobre a suposta conta compartilhada com Tomaz, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.
Ao Uol, sua equipe disse que “o senador nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas. Toda e qualquer afirmação neste sentido é falsa”.
Também acusou objetivo eleitoral na divulgação do suposto vínculo bancário. “Essas insinuações não surgem por acaso. Aparecem agora, em pleno período eleitoral, com um propósito único: espalhar fake news.”
Tomaz diz que é amigo de Flávio, mas nega qualquer relação financeira com o senador
“São falsas as alegações de que tenha compartilhado conta bancária com o senador Flávio Bolsonaro ou mantido qualquer relação financeira com ele.
Entre os dois há apenas amizade, sem relação comercial ou financeira. Atribuir-lhe condutas inexistentes, com base em ilações sem comprovação, é uma grave irresponsabilidade.
Em plena campanha eleitoral, fabricam-se mentiras com o evidente propósito de interferir no resultado do pleito.
O advogado já adotou as medidas criminais cabíveis em razão da divulgação de acusações falsas a seu respeito.
A Polícia Federal já determinou a instauração de investigação criminal para apurar o vazamento das informações protegidas por sigilo e distorcidas pelos jornalistas.”
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