Uma das primeiras pessoas que telefonou para o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, logo após ele deixar a prisão, no sábado, 29 de novembro de 2025, foi o senador Flávio Bolsonaro.A coluna apurou que logo depois que ele chegou em sua mansão, nos Jardins, Vorcaro estava sentado em uma mesa redonda da sala quando um de seus funcionários o chamou e entregou um celular dizendo: “É o senador Flávio Bolsonaro”.
Vorcaro deixou o Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, por volta das 11h40, após decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região. A decisão determinou que ele ficasse monitorado por tornozeleira eletrônica. Na sequência, o banqueiro foi para sua mansão.
Esse é mais um dado que o senador escondeu da relação entre ele e Vorcaro. A proximidade entre os dois e o pedido de U$ 24 milhões foi revelada por uma reportagem do Intercept, em maio. Até aquele momento, Flávio Bolsonaro mentia dizendo que sequer conhecia Vorcaro. Mais de uma semana depois da reportagem, o senador convocou uma coletiva para admitir publicamente que também tinha ido visitar Vorcaro em sua mansão para “dar um ponto final” na relação e supostamente dizer que, se “soubesse da gravidade da situação” teria procurado outros investidores.
Em maio, o ICL Notícias revelou que o senador usou passagens pagas pelo Senado para viajar para São Paulo na manhã do dia 29 de novembro. Ele embarcou em um voo da Latam, às 11h40, de Brasília para o aeroporto de Congonhas. O custo total da passagem foi de R$ 2.216,77. Ele pegou o voo de Congonhas para a capital federal, na noite da mesma data, desta vez um voo operado pela Azul, no valor R$ 413,22.
Dois dias depois, no dia 1º de dezembro, Flávio foi novamente para São Paulo. Retornou à capital federal, na manhã do dia seguinte, dia 2 de dezembro. O custo total foi de R$ 2.919,29. Flávio chegou em Brasília e foi encontrar Jair Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e na sexta-feira, 5, anunciou em São Paulo que seria candidato à Presidência da República. O senado pagou todas essas viagens.
Mensagens antes da prisão
Na véspera da prisão, Flávio tentou entrar em contato com Vorcaro em todos os quatro dias que antecederam a primeira prisão do dono do Banco Master, em 17 de novembro de 2025. As mensagens foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
No primeiro contato, em 13 de novembro, Flávio escreveu para Vorcaro às 9h13: “Fala mermão! Bom dia! Pode atender?”. O banqueiro respondeu que retornaria em meia hora, mas não há registro de uma ligação na conversa.
No dia seguinte, 14 de novembro, Flávio fez uma chamada de voz que não foi atendida. Em 15 de novembro, Vorcaro justificou a ausência e disse que estava em trânsito. Flávio voltou a perguntar se poderia falar com ele.
A última tentativa ocorreu em 16 de novembro, um dia antes da prisão. Após outra chamada não atendida, Vorcaro afirmou que estava na igreja e que ligaria quando terminasse. Pouco depois, Flávio enviou uma mensagem ao banqueiro.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs”, escreveu o candidato. As quatro tentativas de contato com o banqueiro ocorreram uma a cada dia anterior à prisão dele.
No fim da tarde do dia seguinte, 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Ele tentava embarcar em um voo para o exterior. A prisão havia sido determinada pela Justiça Federal de Brasília em uma investigação sobre irregularidades envolvendo o Banco Master. O mandado de prisão foi expedido no início da tarde pela 10.ª Vara Federal de Brasília e seria cumprido apenas no dia 18, mas foi antecipado sob suspeita de tentativa de fuga.
A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro começou em dezembro de 2024. No entanto, segundo a investigação, as mensagens mais antigas haviam sido apagadas do celular do banqueiro antes da apreensão do aparelho. Com isso, a Polícia Federal conseguiu recuperar apenas os registros dos três meses finais de conversas entre os dois.
A coluna procurou a assessoria do candidato Flávio Bolsonaro para que ele comentasse o assunto, mas não obteve resposta. O espaço continua aberto.
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