O Brasil bateu um recorde de estoques de investimentos estrangeiros em 2025 e se consolidou como um dos maiores destinos do capital no mundo. Um mapeamento obtido com exclusividade pelo ICL Notícias e realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) aponta que o país alcançou um volume de US$ 1,4 trilhão ao final do ano passado.
De acordo com o levantamento produzido pela Gerência de Inteligência de Mercado da Apex e a partir de dados do Banco Central, houve um salto de US$ 275,3 bilhões no estoque de investimentos em relação ao fechamento de 2024, uma expansão de 24,1% e equivalente a uma injeção de quase R$ 1,5 trilhão na economia brasileira.
Isso se deu por três fatores: o fluxo de entrada anual, a variação cambial e a própria valorização dos ativos estrangeiros no Brasil.
“Esse é um resultado do pragmatismo que o Brasil está trilhando, tanto no comércio internacional por conta da diversificação, como na atração de investimentos”, afirmou o presidente da Apex, Laudemir Muller.
“O Brasil não faz confusão com ninguém, mas tampouco se aproxima de nenhum país de forma exclusiva. Isso nos torna um país confiável”, disse. “O principal indicador se alguém confia no país é se investe naquele país e estamos tendo uma declaração do mundo empresarial de que o Brasil é um país confiável. Os números mostram isso e os empresários estão apostando no país, inclusive empresários americanos, que investem cada vez mais no Brasil”, avaliou Muller.
Para a agência, os dados revelam um cenário de forte resiliência e atratividade do mercado nacional.
“Os números mostram que, mesmo diante de um contexto global adverso o empresariado internacional demonstrou confiança e continuou trazendo investimento estrangeiro produtivo para o Brasil”, avalia Gustavo Ribeiro, gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil.
“A atração de uma cifra dessa magnitude consolida a percepção de segurança e o potencial de longo prazo que o país oferece”, disse.
Um dos destaques é o papel dos EUA. Empresas americanas lideram os investimentos e avançam mesmo em cenário de aumento tarifário e de crise diplomática entre os dois países.
Os EUA somaram um estoque total de US$ 304,4 bilhões de investimentos no Brasil. De acordo com os dados, entre 2024 e 2025, os investimentos norte-americanos tiveram um aumento de US$ 57,9 bilhões, uma expansão de 23,5%.
“Esse aumento ganha relevância por ter ocorrido no mesmo ano em que houve a primeira onda da imposição de tarifas. Os dados demonstram que, a despeito do cenário externo desafiador e das políticas tarifárias, o capital produtivo dos EUA segue fluindo de forma robusta e contínua para o mercado brasileiro”, afirma Gustavo Ribeiro.
Entre os países do G7, o ranking ainda revela um incremento da Alemanha entre os investidores no Brasil. O país soma US$ 54 bilhões. No total, os europeus são os maiores responsáveis por fluxos para a economia brasileira, com um volume de estoques dos 27 países da UE que superam a marca de US$ 526 bilhões.
Outro destaque é a expansão dos investimentos asiáticos no Brasil. Entre 2024 e 2025, a China ampliou em 10% seus aportes no país e hoje ocupa a 9ª posição no ranking global de fontes de investimentos no Brasil.
Ao destinar US$ 4,1 bilhões em um ano e meio ao Brasil, a China viu seu estoque totalizar US$ 45 bilhões.
Outro aspecto identificado é a consolidação do Brasil como destino de investimentos financeiros. Nesse aspecto, o Uruguai aparece com destaque, impulsionado pela forte integração produtiva e por fluxos financeiros e fiscais. Do Uruguai entraram no Brasil US$ 28,7 bilhões extras entre 2024 e 2025, um aumento de 47,5%. “Com esse movimento, o Uruguai atingiu estoque de US$ 89 bilhões e assumiu a 4ª posição no ranking geral das principais origens de investimentos globais no Brasil”, explicou a Apex.
Na América Latina, o Uruguai lidera de forma isolada, ficando consideravelmente à frente do segundo colocado regional, o México, que figura na 15ª posição global com um estoque de US$ 22,7 bilhões.
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