Os 3,1 milhões de votos que tornaram Nikolas Ferreira (PL) o deputado mais votado da história do Brasil ajudaram a levar para a Câmara dos Deputados mais de uma dezena correligionários que tiveram desempenho modesto nas urnas.
Os oito deputados menos votados de Minas Gerais são do PL, todos com menos de 46 mil votos. Fora do partido, ninguém conseguiu se eleger abaixo desse patamar. No total, dos 16 parlamentares eleitos com as menores votações, 15 estão na sigla de Nikolas.
O caso mais extremo é o de Sargento Mello-Casal (PL). Vereador de Juiz de Fora (MG), ele teve 25 mil votos, cerca de 12% do necessário para conquistar uma cadeira sozinho. Na outra ponta, os presidentes do PSD e do Republicanos no Estado, Cássio Soares e Euclydes Pettersen, ficaram de fora mesmo obtendo 100 mil e 92 mil votos, respectivamente.
“Eu já esperava uma votação muito expressiva do Nikolas Ferreira. O resultado foi justo e corresponde ao tamanho que ele alcançou e ao que representa hoje para o país”, disse Mello-Casal ao Estadão.
Ele pontuou que reduzir a eleição de deputados do PL ao desempenho de um único nome é uma simplificação. “Cada candidato também fez sua campanha e recebeu a confiança de seus próprios eleitores”, afirmou.
O fenômeno do puxador de votos é uma consequência do sistema proporcional de votação. As vagas são distribuídas inicialmente aos partidos, conforme a soma dos votos dos candidatos e depois aos mais votados de cada legenda. Em Minas, cada sigla precisou de 214 mil votos para alcançar o quociente eleitoral e garantir uma cadeira. A votação de Nikolas, sozinha, equivale a 14 vagas.
“O impacto do discurso nacional dele acabou agravando a votação dos candidatos que representam regiões”, disse Soares em entrevista ao Estadão. “Eu lamento. As regiões acabaram prejudicadas porque o Nikolas não tem compromisso municipalista com algumas regiões em que ele foi majoritário [o mais votado]. É a regra, eu respeito, mas não deixa de ser uma distorção da representatividade regional”, acrescentou.
Outro caso emblemático é o do deputado eleito Subtenente Gonzaga (PL). Em 2022, ele teve 42,6 mil votos e ficou como suplente do PSD. Agora, sua votação caiu para 35,9 mil, mas ele conseguiu um mandato por ter sido puxado pelo aliado.
Nikolas já havia sido o maior puxador do Brasil em 2022, quando foi votado por 1,5 milhão de eleitores. O desempenho tornou a chapa do PL a mais cobiçada em Minas Gerais, atraindo políticos de outros partidos justamente por eleger candidatos com votações menores.
Até o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tentou se filiar ao partido, mas foi barrado. Cunha recebeu 32 mil votos, que acabaram considerados nulos pois sua candidatura foi indeferida. A votação não lhe daria uma vaga na Câmara pelo Republicanos, sigla pela qual disputou a eleição, mas teria sido suficiente para elegê-lo pelo PL.
“Uma pena ver alguns [candidatos] ideológicos ficarem de fora como Coronel Cláudia e Vile, que seriam muito mais fiéis ao eleitor bolsonarista do que outros eleitos que só vieram pela viabilidade eleitoral. Mas é do jogo e cabe a nós aprendermos a instruir melhor o eleitor sobre isso”, disse o deputado federal Junio Amaral (PL).
Amaral, que conquistou o terceiro mandato seguido, foi eleito pela primeira vez na onda bolsonarista de 2018. Sua votação recuou de 158 mil votos naquela eleição para 33,7 mil no último domingo – apenas Mello-Casal teve menos votos que ele entre quem conquistou mandato.
O PL elegeu 21 dos 53 deputados federais por Minas Gerais. Foi o melhor resultado da história do partido, superando a marca anterior de 11 parlamentares, também conquistada com a ajuda de Nikolas Ferreira.
Discover more from FATONEWS :
Subscribe to get the latest posts sent to your email.


























