
A PF (Polícia Federal) voltou às ruas nesta quarta-feira
(7) contra o grupo investigado por movimentar cargas milionárias de mercadorias
trazidas irregularmente do Paraguai para o Brasil. A Operação Spectrum 2
cumpriu mandado de busca e apreensão em Dourados e teve como alvo o suposto
líder de uma das células da organização.
Além das buscas, a Justiça determinou o sequestro de bens
dos investigados até o limite de R$ 7,4 milhões. Segundo a PF, a nova fase
busca aprofundar a investigação sobre crimes de descaminho e organização
criminosa relacionados à entrada irregular de produtos estrangeiros no país.
A Spectrum 2 é um desdobramento da operação deflagrada em
janeiro deste ano, quando policiais federais e agentes da Receita Federal
cumpriram seis mandados de busca e apreensão em Dourados. Naquela ocasião, os investigadores
apontaram a existência de uma estrutura destinada a trazer grandes volumes de
eletrônicos do Paraguai e encaminhá-los a outros estados brasileiros.
Entre os alvos da primeira fase estava um investigado que
morava em um condomínio de luxo na região central de Dourados e era apontado
como um dos líderes do esquema. Na residência dele, foram apreendidas três
pistolas, um revólver e duas armas longas. O homem tinha registro de CAC
(Caçador, Atirador e Colecionador) e não foi preso em flagrante pela posse das
armas.
As buscas daquela operação também passaram por outro
condomínio residencial, pelo escritório de uma transportadora na Vila
Industrial e por casas de investigados em Dourados. A apuração apontava ainda
que o principal líder da organização, conhecido como “Spectrum”, vivia em Foz
do Iguaçu (PR). Outro alvo, localizado em Trindade (GO), era apontado como
operador logístico do grupo.

Sete mil eletrônicos
A investigação que levou às duas operações começou em
abril de 2025. Na noite do dia 28 daquele mês, uma equipe da Defron (Delegacia
Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira) encontrou pelo menos 7 mil
aparelhos eletrônicos, principalmente celulares, escondidos em um caminhão
frigorífico que estava sendo carregado com carne suína em uma indústria às
margens da BR-163, em Dourados.
A carga lícita seguiria para Goiás. Conforme estimativa
da Receita Federal divulgada na época, os eletrônicos introduzidos
irregularmente no País estavam avaliados em pelo menos R$ 7 milhões. O
motorista do caminhão fugiu do pátio da indústria ao perceber a chegada dos
policiais e morreu algum tempo depois. A informação obtida pelos investigadores
era de que a morte teria ocorrido em decorrência de infarto.
A partir daquela apreensão, a Delefaz (Delegacia de
Repressão a Crimes Fazendários) da PF avançou sobre a estrutura responsável
pelo transporte. A investigação apontou que motoristas encarregados de levar
mercadorias regulares eram cooptados para transportar também os produtos
estrangeiros, que seguiam escondidos em meio às cargas lícitas.
Segundo a PF, os produtos entravam no Brasil sem
documentação fiscal e sem a regularização exigida pelos órgãos de controle
aduaneiro. A primeira Spectrum foi deflagrada para identificar os responsáveis
pela estrutura e reunir provas sobre o funcionamento do esquema.
Foi justamente o material obtido nesses desdobramentos
que deu origem à operação desta quarta-feira. De acordo com a PF, as novas
provas apontaram atos de descaminho e a atuação de uma organização criminosa
voltada à introdução clandestina de mercadorias estrangeiras no território
brasileiro.
Agora, a investigação se concentra também no suspeito
apontado como líder de uma das células do grupo e alvo da busca em Dourados. A
PF não divulgou o nome do investigado nem detalhou, até o momento, o que foi
apreendido durante o cumprimento do mandado nesta quarta-feira. Os investigados
poderão responder por descaminho e organização criminosa.

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