Atendimento remoto pode trazer mais flexibilidade à rotina dos profissionais e ainda enfrenta resistência no setor
A transformação digital da saúde não impacta apenas a experiência dos pacientes. Para os médicos, a telemedicina também pode contribuir para uma rotina profissional mais flexível, com redução de deslocamentos, melhor organização da agenda e novas frentes de atuação. O tema ganha relevância diante dos desafios relacionados à saúde mental da categoria. Uma pesquisa¹ realizada com mais de 2 mil médicos aponta que 39,8% dos participantes relataram algum diagnóstico de transtorno mental, enquanto a sobrecarga de trabalho esteve associada a 67,2% dos casos de burnout identificados no estudo.
Para a Dra. Ana Caroline Vicenzi, Diretora Médica e responsável pelos programas de saúde mental da Dr.Online, a qualidade de vida é um tema central para a carreira médica. “Durante muito tempo, a exaustão foi tratada quase como aspecto natural e inato a profissão médica. Mas qualidade de vida também precisa fazer parte dessa discussão. Quando o profissional ultrapassa seus limites fisiológicos e emocionais de maneira sustentada, os impactos podem ultrapassar a vida pessoal e afetando sua saúde, a relação com o trabalho e sua própria carreira”, afirma.
A telemedicina pode ser uma ferramenta para tornar determinados aspectos da rotina mais sustentáveis. Consultas de acompanhamento e situações de menor complexidade, quando clinicamente adequadas, podem ser realizadas remotamente, reduzindo deslocamentos e ampliando a flexibilidade do profissional.
“A telemedicina não resolve, sozinha, os desafios relacionados à saúde mental dos médicos, mas pode contribuir para uma rotina mais flexível. Reduzir deslocamentos e ampliar as possibilidades de organização da agenda são mudanças que podem fazer diferença no dia a dia profissional. O objetivo não é substituir o atendimento presencial, mas utilizar cada modalidade onde ela faz sentido”, explica a médica.
Preconceito ainda é um desafio
Apesar do avanço da modalidade, a telemedicina ainda enfrenta resistência, especialmente pela percepção de que o atendimento remoto seria necessariamente inferior ao presencial. Para a Dra. Ana Caroline, a discussão deve ser baseada em critérios clínicos, segurança e qualidade da assistência.
“Ainda existe a percepção de que a telemedicina apresenta limitações insuperáveis e gera pouco valor na jornada. Precisamos substituir este conceito por uma discussão técnica: para quais situações o atendimento remoto é adequado, quais são seus limites e quando o paciente precisa de uma avaliação presencial. A tecnologia é uma ferramenta, e a qualidade do cuidado depende de uma governança clínica bem estabelecida, com práticas responsáveis e baseadas em evidência”, afirma.
Mais do que substituir o atendimento presencial, a telemedicina pode integrar modelos híbridos de cuidado, ampliando o acesso dos pacientes e oferecendo novas possibilidades de organização para os profissionais.
“Quando falamos em saúde mental dos médicos, também precisamos olhar para a forma como o trabalho é organizado. Ter mais autonomia sobre determinados aspectos da rotina pode contribuir para um equilíbrio maior entre vida profissional e pessoal e para uma carreira mais sustentável”, completa a Diretora Médica da Dr.Online.
Referência
¹ Qualidade de vida do médico. Panorama da saúde mental do médico – 2024. Research Center Afya. Link
Ariane Santos
Discover more from FATONEWS :
Subscribe to get the latest posts sent to your email.


























