Declaração de linha-dura da extrema direita ocorre no mesmo dia em que a Justiça israelense ordenou o adiamento por um mês do prazo final da licitação para um grande projeto de colonização da Cisjordânia ocupada
Perguntado sobre como Israel deveria combater as crescentes “tensões de segurança” na Cisjordânia ocupada, o ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, afirmou em entrevista publicada neste domingo (27) que os militares do país devem “entrar em estado de guerra” na região e repetir o que “fizeram em Gaza”.
– Israel precisa entrar em estado de guerra na Judeia e Samaria [termo bíblico usado para se referir à Cisjordânia] e fazer lá o que fizemos em Gaza, desmantelando assim a Autoridade Palestina, que é terrorista – disse Smotrich em entrevista ao Ynet News. – Precisamos dizer às forças israelenses: “Assim como vocês desmantelaram o Hamas em Gaza, não haverá mais infraestrutura terrorista na Judeia e em Samaria. Sem terroristas, sem armas, sem túneis”.
A declaração ocorre em meio ao aumento crescente da violência israelense contra palestinos na região ocupada, especialmente após o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, com intensificação dos ataques neste ano.
A ONU registrou mais de 1.330 ataques relacionados a colonos contra palestinos na Cisjordânia de janeiro ao final de julho, em uma média de seis por dia, e prevê que eles ultrapassem 2 mil até dezembro. Esta é a maior taxa em cerca de 20 anos.
Veja fotos do ataque israelense na Cisjordânia



Ofensiva militar é a mais intensa em 20 anos e já matou ao menos 8 palestinos
Grande projeto de colonização da Cisjordânia ocupada
Também neste domingo, a Justiça israelense ordenou o adiamento por um mês do prazo final da licitação para um grande projeto de colonização da Cisjordânia ocupada, para que não interfira nas eleições legislativas do final de outubro, quando o destino do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu estará em jogo.
A decisão foi tomada para “fazer com que o prazo final caia após o dia das eleições, a fim de reduzir o risco de que a licitação seja utilizada para fins de propaganda eleitoral, o que é proibido”, informa em comunicado o gabinete da procuradora-geral Gali Baharav-Miara.
Em julho, o ministério israelense da Habitação abriu uma licitação para a construção de mais de 1.200 moradias do chamado Projeto E1, adjacente ao assentamento de Maale Adumim, perto de Jerusalém.
Aprovado por Israel no ano passado após várias décadas em suspenso, o plano, se posto em prática, isolaria ainda mais Jerusalém Oriental, ocupada e posteriormente anexada por Israel, do restante da Cisjordânia, reduzindo a possibilidade de criação de um Estado palestino.
Israel ocupa esse território desde 1967. A presença de colonos disparou nos últimos anos sob o governo Netanyahu, um dos mais conservadores da história do país. As eleições legislativas israelenses de 27 de outubro, mostram as pesquisas, prometem ser acirradas para o dirigente, cujos ministros têm defendido repetidamente a anexação definitiva da Cisjordânia.
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