O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu proibir as apostas online, conhecidas como bets, e vai adotar esse mote na reta final da campanha à reeleição. A estratégia que associa o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal rival de Lula, aos prejuízos causados pelos jogos de azar entrou em cena na noite desta quarta-feira, 23, durante ato político do presidente com artistas, no Rio.
“Flávio é bet. Lula é o caminho”, dizia uma inscrição exibida no telão instalado no fundo do palco. O presidente e o senador estão tecnicamente empatados na maioria das simulações de intenção de voto para eventual segundo turno da disputa.
Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira revelou que 75% dos brasileiros apoiam a proibição das bets. Apenas 17% se disseram contrários à medida e outros 8% não concordam nem discordam.
O governo também avalia tomar providências para que as empresas de apostas online indenizem pessoas que se endividaram por causa dos jogos. Uma das ideias em estudo prevê que a União entre com ação na Justiça cobrando o ressarcimento das empresas.
Ao participar da abertura da 81.ª Assembleia Geral da ONU, na terça-feira, Lula disse que “a indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro”.
Monitoramentos feitos pela campanha petista indicaram que a propaganda eleitoral do presidente exibida nesta terça – na qual ele levou para a TV relatos de quem teve problemas com apostas online – foi muito bem recebida. A propaganda mostrou Lula conversando com famílias que sofreram as consequências do vício em bets. O encontro ocorreu no último dia 13, no Palácio da Alvorada.
A professora Vânia de Souza Borges viajou de Uberlândia para Brasília para dizer ao presidente que a dependência nesse tipo de apostas levou ao suicídio seu filho Rafael, de 26 anos, em março de 2024. Emocionada, ela cobrou a responsabilização das plataformas.
Desde que o assunto “bets” virou discurso de campanha, levantamentos analisados pelo PT têm mostrado que a ideia de proibir apostas online é muito elogiada por evangélicos, segmento que, em sua maioria, apoia a candidatura de Flávio. Não sem motivo, a inscrição que apareceu no ato político do presidente com artistas, nesta quarta-feira, destaca que Lula é “o caminho” e vincula o adversário à defesa dos jogos de azar.
De início, o presidente havia sido aconselhado a proibir somente os cassinos digitais, como o jogo do Tigrinho, uma vez que havia grande resistência por parte das empresas de apostas esportivas. Além disso, a regulamentação das bets ocorreu no governo Lula.
Em reunião realizada nesta quarta-feira com os ministros Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento) e Miriam Belchior (Casa Civil), Lula afirmou, porém, que precisava “cortar o mal pela raiz” e foi incentivado pelo titular da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, a adotar uma medida drástica. Todos saíram do encontro no Alvorada incumbidos de fazer os últimos acertos para a edição da Medida Provisória, nos próximos dias.
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