Executivos da indústria de combustíveis fósseis dos EUA lucraram com a guerra promovida contra o Irã, registrando vendas recordes de ações, segundo uma análise da VerityData publicada na quarta-feira pelo The Wall Street Journal.
Segundo a reportagem, executivos venderam ações no valor de US$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre do ano, em um momento em que os preços das ações de companhias como Chevron, ConocoPhillips e outras do ramo de petróleo e gás dispararam devido a um choque histórico no fornecimento mundial de petróleo bruto.
“Em muitos casos, os CEOs se destacaram como grandes vendedores”, pontua o jornal, apontando que “o diretor executivo da Chevron, Mike Wirth, vendeu cerca de US$ 104 milhões em ações entre janeiro e março. Ryan Lance, da ConocoPhillips, lucrou cerca de US$ 54,3 milhões com a venda de ações somente em março. Lorenzo Simonelli, CEO da empresa de serviços petrolíferos Baker Hughes, vendeu cerca de US$ 33 milhões em ações naquele mesmo mês.”
O chefe de pesquisa da VerityData, Ben Silverman, disse que “isso demonstra o comportamento oportunista de todos os envolvidos — pode ter sido uma estratégia planejada meses antes, pode ter sido uma estratégia do momento… Havia uma pressa na venda, e a mensagem que eles transmitiram foi para aproveitar a oportunidade agora, porque a onda não vai durar para sempre.”
Quem ganha e quem perde
O site Common Dreams lembra que a jornalista ambiental Emily Atkin diz que “esta não é a primeira vez que um pequeno grupo de CEOs de empresas petrolíferas extraordinariamente ricas usa uma guerra para se enriquecer ainda mais. Nas semanas seguintes à declaração do presidente Joe Biden de que estava ‘convencido’ de que a Rússia invadiria a Ucrânia em 2022, os CEOs das grandes petrolíferas venderam quase US$ 99 milhões em ações, de acordo com uma análise da Friends of the Earth e da BailoutWatch .”
“O que realmente torna essa história notável não é simplesmente o fato de que os executivos do setor petrolífero enriqueceram com uma guerra. É o quão perfeitamente legal e normal tudo isso é, e o que essa legalidade revela sobre quem ganha e quem perde quando os Estados Unidos entram em guerra”, pontua Atkin. “Quando os Estados Unidos entram em guerra, os custos são distribuídos amplamente, recaindo sobre todos os americanos que dirigem um carro ou aquecem suas casas. Os benefícios são distribuídos de forma restrita, indo para um pequeno grupo de homens cuja remuneração é projetada para capturar exatamente esse tipo de ganho inesperado.”
E a jornalista prossegue: “E o ganho inesperado em dinheiro que esses executivos do setor petrolífero obtêm com a guerra não será destinado principalmente a iates e jatos particulares (eles já os possuem). Ele será destinado a campanhas políticas e organizações de lobby dedicadas a combater a regulamentação climática, bloquear políticas de energia limpa e alimentar o autoritarismo”.
Trump e o petróleo
Nesse sentido, o The Guardian trazia, no início de 2025, um relatório apontando que as grandes petrolíferas gastaram 445 milhões de dólares durante o ciclo eleitoral que elegeu Donald Trump e uma maioria republicana na Câmara e no Senado. O valor inclui o financiamento entre janeiro de 2023 e novembro de 2024 para doações políticas, lobby e publicidade em apoio a autoridades eleitas e políticas específicas.
Como o montante não inclui o dinheiro canalizado por meio de grupos de financiamento oculto, que não são obrigados a revelar seus doadores, os ambientalistas do grupo Climate Power afirmam que se trata de um valor subestimado. Seu relatório constatou que interesses ligados aos combustíveis fósseis investiram US$ 96 milhões na campanha do presidente Trump e em comitês de ação política afiliados.
Com informações do Common Dreams
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