O debate sobre o PIX ganhou tom internacional após a menção a um relatório da Casa Branca que sugeriria impacto negativo às empresas americanas de cartões, justamente quando o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, demonstra interesse em adotar o modelo brasileiro. A discussão, porém, caminhou mais para o campo político do que econômico. Na leitura dos entrevistados do programa Mercado, o episódio revela muito mais disputa narrativa do que uma ameaça concreta ao mercado.
Alarme Falso
O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, tratou de esfriar qualquer alarme. Para ele, a ideia de prejuízo imediato às bandeiras americanas não se sustenta. O uso de cartão de crédito continua crescendo no Brasil, impulsionado pela renda ainda apertada das famílias, o que mantém a relevância de gigantes como Visa e Mastercard. Galhardo classificou a preocupação como “falácia” e cortina de fumaça de Trump para esconder os efeitos da guerra contra o Irã na economia americana como a alta dos preços nos supermercados. Ele destacou que, embora o PIX seja “transformador e revolucionário”, seus efeitos mais profundos ainda pertencem ao médio e longo prazo.
Incoerência
O economista também apontou uma certa incoerência no discurso americano. Ele comparou a crítica ao PIX com medidas protecionistas adotadas pelos próprios Estados Unidos e pela União Europeia em outras áreas, como a taxação de pequenas encomendas internacionais. Na prática, a lógica é semelhante: proteger setores domésticos diante de mudanças tecnológicas e de competitividade. Isso, na visão dele, esvazia o argumento de que o sistema brasileiro representaria uma ameaça desleal.
Ruído
Falando diretamente dos Estados Unidos, o economista Bruno Corano, da Corano Capital reforçou a avaliação e foi ainda mais direto: não há mecanismo legal para que o governo americano interfira nos meios de pagamento brasileiros. Para ele, o debate não passa de “ruído”. Corano também chamou atenção para o contraste tecnológico, lembrando que o sistema financeiro americano ainda depende de cheques e de transferências lentas e caras — algo que soa distante da experiência brasileira atual.
Ineficiência americana
Segundo Corano, o Brasil tem um dos sistemas financeiros mais modernos do mundo e as iniciativas americanas para criar algo semelhante ao PIX são fragmentadas e com limites baixos, o que reduz sua eficiência. Ele concluiu que o interesse comercial fala mais alto: as bandeiras internacionais continuam lucrando com o grande volume de transações no Brasil e não há sinal de mudança estrutural por causa de pressões políticas. No fim das contas, o episódio parece reforçar um ponto simples: o Brasil virou referência em pagamentos instantâneos — e isso, inevitavelmente, incomoda.
Discover more from FATONEWS :
Subscribe to get the latest posts sent to your email.



















