Uma intervenção na Casa Branca, durante um almoço de Páscoa, está a gerar forte polémica nos Estados Unidos depois de a conselheira espiritual de Donald Trump ter comparado o presidente americano a Jesus Cristo.
O episódio foi relatado pelo ‘The Independent’ e envolve Paula White-Cain, televangelista que acompanha Trump há anos e que voltou a estar ao seu lado num momento simbólico. No discurso, feito com o presidente presente, a religiosa traçou paralelos diretos entre os desafios enfrentados por Trump e o percurso de Cristo.
“Jesus mostrou-nos que uma grande transformação exige grande sacrifício”, afirmou. E dirigindo-se ao presidente, acrescentou: “Ninguém pagou o preço como você pagou. Quase lhe custou a vida.”
A comparação foi ainda mais longe. White-Cain afirmou que Trump foi “traído, detido e falsamente acusado”, descrevendo um “padrão familiar” ao vivido por Cristo. E concluiu com uma mensagem de vitória: “Tal como Ele venceu, você também vencerá.”
Trump reagiu com um simples “obrigado”, sorrindo perante o aplauso da audiência.
Reações imediatas: “blasfémia” e “insanidade”
A intervenção rapidamente incendiou as redes sociais e gerou críticas duras, sobretudo de líderes religiosos e comentadores políticos.
Um teólogo católico classificou o discurso como “blasfémia”, criticando o facto de a comparação ter sido feita num contexto oficial e com figuras religiosas presentes. Outros utilizadores acusaram a intervenção de instrumentalizar a fé para fins políticos, descrevendo o momento como “teatral” e “sacrílego”.
Houve ainda quem fosse mais longe, classificando a situação como “insanidade” e denunciando uma mistura perigosa entre religião e poder político.
Uma figura polémica no círculo de Trump
Segundo o The Independent, Paula White-Cain não é uma figura nova nestas controvérsias. A televangelista tem sido uma peça central na ligação de Trump ao eleitorado evangélico e acompanha-o desde o início da sua carreira política.
Já em 2019 assumiu um papel oficial na Casa Branca como conselheira religiosa, mas mantém uma relação com o presidente desde 2002. Ao longo dos anos, acumulou episódios polémicos, incluindo sermões controversos e declarações em que chegou a afirmar que recusar Trump seria “recusar Deus”.
Mais recentemente, apelou a doações religiosas com base no rendimento dos fiéis, reforçando o seu perfil mediático e divisivo.
Religião, política e um debate cada vez mais intenso
O episódio surge num momento particularmente sensível, marcado por tensões geopolíticas e por uma crescente polarização política nos Estados Unidos.
A utilização de referências religiosas em contextos políticos não é nova, mas a intensidade das palavras e o paralelismo direto com Jesus Cristo elevaram o debate a outro nível, reacendendo discussões sobre os limites entre fé, poder e discurso público.
Num país onde a religião continua a ter forte peso político, o caso promete alimentar novas polémicas — e voltar a colocar Donald Trump no centro de um debate que ultrapassa a política e entra no domínio simbólico e religioso.
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