
O Ministério da Saúde liberou, nesta sexta-feira (27),
aporte emergencial de R$ 900 mil para o custeio de ações de vigilância,
assistência e controle da chikungunya em Dourados. O valor será transferido em
parcela única, do Fundo Nacional de Saúde ao fundo municipal, garantindo
agilidade na execução.
Os recursos poderão ser utilizados para intensificar
estratégias como vigilância em saúde, controle do mosquito Aedes aegypti,
qualificação da assistência e apoio às equipes que atuam diretamente no
atendimento à população.
Dourados está em emergência em saúde pública por causa da
epidemia de chikungunya. Cinco pessoas, todas moradoras na reserva indígena,
morreram em decorrência da doença, que já tem 2.144 casos notificados e 912 confirmados,
além de 936 em investigação. Somando as notificações ainda esperando exames e
os positivos, o total de casos prováveis chega a 1.848. Boletim divulgado neste
sábado (28) pela Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde
mostra que 32 pessoas com sintomas ou já com resultado positivo para
chikungunya permanecem internadas.
O dinheiro
De acordo com o Ministério da Saúde, a liberação do
montante se soma a outras iniciativas em curso, como a instalação de mil
Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs). A estratégia consiste em
armadilhas com recipiente plástico e tecido impregnado com larvicida, que
atraem o mosquito. Ao entrar em contato com o produto, o inseto passa a
disseminar o larvicida em outros criadouros, contribuindo para interromper o
ciclo de reprodução.
Das 300 unidades enviadas inicialmente de Campo Grande,
150 já foram instaladas nesta sexta-feira (27) no Jóquei Clube e em bairros adjacentes,
como Santa Felicidade e Santa Fé. Na sequência, as equipes atuarão nos bairros
Novo Horizonte/Parque do Lago e Jardim Piratininga.
A coordenadora-geral de Vigilância de Arboviroses do
Ministério da Saúde, Lívia Vinhal, destaca que a medida integra uma estratégia
mais ampla de controle vetorial. “Nosso foco é reorganizar fluxos, integrar
informações e direcionar ações em campo. As estações são uma ferramenta
importante, mas a eliminação de criadouros depende da ação conjunta entre poder
público e população”, afirmou.
Antes da implementação, agentes municipais passaram por
capacitação conduzida por técnicos da Coordenação-Geral de Vigilância de
Arboviroses, com foco no uso das novas tecnologias de controle vetorial.
Busca ativa nos
territórios indígenas
Outra medida é a busca ativa nos territórios indígenas de
Dourados, realizada de forma conjunta pela Força Nacional do SUS (FN-SUS) e
pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), com 106 atendimentos domiciliares
nas aldeias Jaguapiru e Bororó.
“Em um território extenso como este, não basta esperar
que o paciente procure o serviço. A atuação integrada das equipes é essencial
para alcançar quem mais precisa e evitar a evolução para casos graves”,
destacou o diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli.
Para intensificar as ações de cuidado, foi instalada uma
Sala de Situação, na quarta-feira (25), no Ministério da Saúde, para coordenar
as ações federais. Posteriormente, a estrutura será levada ao território, com
atuação integrada entre áreas técnicas, gestores estaduais e municipais e
outros órgãos públicos, fortalecendo a tomada de decisão.
Desde o início de março, agentes de saúde e de combate às
endemias já realizaram visitas a mais de 2,2 mil residências nas aldeias da
região. As ações incluem mutirões de limpeza, eliminação de criadouros,
aplicação de larvicidas e inseticidas, além da atuação de unidade móvel da
Ebserh, garantindo assistência direta à população indígena.
Como reforço à resposta local, o Ministério da Saúde
autorizou, em caráter emergencial, a contratação temporária de 20 Agentes de
Combate a Endemias (ACE), ampliando a força de trabalho na região. A admissão
ocorrerá por análise curricular e conforme a Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT). A expectativa é que, nas próximas semanas, os agentes já estejam
atuando.
Desde 18 de março, a FN-SUS atua no município de Dourados
em parceria com equipes locais. Atualmente, são 34 profissionais mobilizados,
entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, com atuação nas áreas mais
afetadas.

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