O Partido Liberal (PL) surgiu para o eleitor com a promessa de representar os bons costumes, a família e aquilo que chamamos de conservadorismo. Mas, cá entre nós, aqui no Mato Grosso do Sul as movimentações para as eleições deste ano estão deixando muita gente com a pulga atrás da orelha. O discurso firme do púlpito parece colidir com o que acontece nos bastidores do palanque. A pergunta que o eleitor deve fazer é simples: o PL ainda merece a confiança da ala conservadora?
Serei franco, mesmo sabendo que, por estas terras pantaneiras, franqueza costuma custar caro quando o assunto é política. Semanas atrás, o nome do ex-deputado federal Edson Girotto voltou a circular. Figura conhecida da Operação Lama Asfáltica, já condenado e com passagem pelo “xilindró”, ele foi novamente sentenciado no ano passado, desta vez por enriquecimento ilícito. Ainda assim, teve espaço garantido no partido a pedido do “todo poderoso”, Valdemar da Costa Neto. Pelo visto, a amizade falou mais alto que a ficha corrida.
E a situação só piora. O deputado estadual Neno Razuk, já filiado ao PL e pré-candidato à reeleição, foi condenado a 15 anos de prisão por chefiar organização criminosa ligada ao jogo do bicho, no âmbito da Operação Successione. Mesmo com condenação confirmada em janeiro de 2026, permanece no partido e na Assembleia. Onde fica, então, o compromisso com ética e valores tão defendidos nos discursos?
A contradição grita. De um lado, a base conservadora, que acredita sinceramente nas bandeiras levantadas pelo partido. De outro, a cúpula, em Brasília e em Campo Grande, aparentando priorizar matemática eleitoral acima de coerência. A legenda que se apresenta como guardiã de princípios abre espaço para nomes com histórico judicial delicado.
O eleitor sul-mato-grossense conhece essas histórias. E tem todo o direito de perguntar: o PL no Estado ainda possui autoridade moral para pedir o voto conservador? Ainda pode afirmar que representa, de fato, os valores e bons costumes que sempre defendeu?
Fonte: O Sul Matogrossense
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