
Um dos líderes da organização criminosa responsável pela
remessa de cargas milionárias de eletrônicos da fronteira de Mato Grosso do Sul
com o Paraguai para grandes centros brasileiros mora em um condomínio de luxo
na área central de Dourados.
O apartamento dele, no Edifício Meridian, no cruzamento
das ruas Mato Grosso e Oliveira Marques, foi um dos alvos dos mandados de busca
e apreensão cumpridos nesta quarta-feira (28) pela Polícia Federal e pela Receita
Federal no âmbito da Operação Spectrum.
Iniciada em abril de 2025 após a apreensão de sete mil
aparelhos eletrônicos em um caminhão frigorífico que levaria carne suína para Goiás,
a operação mira esquema de descaminho e contrabando de produtos trazidos do país
vizinho e despachados em meio a cargas lícitas.
Na casa desse investigado, os agentes federais apreenderam
três pistolas, um revólver e duas armas longas. O homem, que não teve o nome
divulgado, tem registro de CAC (Caçador, Atirador e Colecionador), por isso não
foi preso em flagrante pela posse do armamento.
Em Dourados, foram cumpridos seis mandados de busca e
apreensão. Além do edifício de alto padrão, os policiais e agentes da Receita
estiveram no Condomínio Moradas Dourados, na região oeste da cidade, no
escritório de uma transportadora do esquema, na Rua Fernando Ferrari, na Vila
Industrial, e nas residências de outros investigados.
O principal líder do esquema, conhecido como “Spectrum”
(que deu nome à operação), mora em Foz do Iguaçu (PR) e também foi alvo de
buscas nesta manhã. Já em Trindade (GO), a operação mira um operador logístico
da organização.
Caminhão de carne
A apreensão de eletrônicos que deu origem à investigação,
conduzida pela Delefaz (Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários) da Polícia
Federal, ocorreu na noite de 28 de abril de 2025 quando o caminhão frigorífico
era carregado com carne suína na indústria localizada na BR-163, saída para
Campo Grande.
Equipe da Defron (Delegacia Especializada de Repressão
aos Crimes de Fronteira), da Polícia Civil, encontrou cerca de sete mil
aparelhos eletrônicos (principalmente celulares) no caminhão. Seguindo estimativa
da Receita Federal, os produtos introduzidos ilegalmente no país foram avaliados
em pelo menos R$ 7 milhões.
De acordo com policiais que investigam o esquema,
motoristas de caminhões que levavam as cargas lícitas eram cooptados pela quadrilha
para transportar os eletrônicos contrabandeados. O condutor do caminhão de carne
onde estavam os celulares apreendidos no ano passado fugiu do pátio da
indústria quando percebeu a chegada dos policiais da Defron. Ele morreu tempo
depois. A causa da morte teria sido infarto.
Conforme a PF e a Receita Federal, o grupo criminoso é especializado
na importação fraudulenta de expressivo volume de mercadorias de origem
estrangeira, desacompanhadas de documentação fiscal e sem a devida
regularização nos órgãos de controle aduaneiro. As investigações prosseguem,
para esclarecer integralmente o esquema, identificar todos os envolvidos e
apurar eventuais outros crimes.
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