Vírus é a principal causa do câncer que mais mata mulheres de até 36 anos de idade e o segundo até 60
Estima-se que até 80% da população sexualmente ativa seja infectada pelo papilomavírus humano (HPV) em algum momento da vida. No Brasil, uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Saúde em 2023 revelou uma prevalência de infecção genital de 54,4% entre mulheres e 41,6% entre homens. O HPV é o principal agente causador do câncer de colo do útero, que mata, em média, 19 mulheres por dia no país. A doença é a segunda mais letal até os 60 anos e lidera os índices de mortalidade entre mulheres com menos de 36 anos.
O HPV é o vírus sexualmente transmissível mais comum no mundo, afetando pele e mucosas. Existem mais de 200 genótipos identificados, alguns responsáveis por verrugas genitais e outros associados a tumores malignos, como os de colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta.
Sintomas
A infectologista Sylvia Freire, do Sabin Diagnóstico e Saúde explica que, na maioria dos casos, a infecção pelo HPV é assintomática. O vírus pode permanecer latente por meses ou até anos, sem sinais visíveis, ou manifestar-se de forma subclínica, ou seja, sem sintomas perceptíveis a olho nu. A queda na imunidade pode favorecer a multiplicação viral e o surgimento de lesões. “Em geral, o organismo elimina o vírus espontaneamente em até 24 meses”, diz.
As primeiras manifestações, segundo a especialista, podem surgir aproximadamente entre dois e oito meses após o contato, mas há casos em que os sinais demoram até 20 anos para aparecer. Gestantes e pessoas com imunidade comprometida estão entre os grupos mais suscetíveis. O diagnóstico pode ser feito por meio de exames clínicos e laboratoriais, conforme o tipo de lesão, que pode ser clínica ou subclínica.
Lesões clínicas podem se apresentar como verrugas na região genital ou anal, podendo ser únicas ou múltiplas, de tamanhos variados, achatadas ou papulosas. Embora geralmente indolores, podem causar incômodo dependendo da localização. Essas lesões costumam ser provocadas por genótipos de HPV não oncogênicos. Já as lesões subclínicas, que não apresentam sintomas visíveis, podem ser causadas por tipos de baixo ou alto risco para o desenvolvimento de câncer.
Genotipagem
Diante desse cenário, o exame de genotipagem do HPV surge como uma estratégia eficaz para identificar os riscos associados ao desenvolvimento do câncer de colo uterino. A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) passou a recomendar, em 2025, que mulheres entre 25 e 64 anos, principalmente a partir dos 30, realizem o teste como forma de prevenção. Antes, o exame era indicado dos 30 em diante.
Antes disponível apenas na rede privada, o exame de genotipagem do HPV passou a ser disponibilizado na rede pública desde agosto do ano passado, inicialmente em 12 estados, com previsão de alcançar toda a rede de forma gradual.
“O teste permite identificar os tipos de HPV de maior risco, possibilitando a adoção de medidas preventivas ou mesmo o tratamento precoce”, explica Sylvia Freire.
A infectologista explica que, ao detectar um genótipo de alto risco no exame de genotipagem, a conduta médica é ajustada conforme o grau de malignidade, que só pode ser conhecido após exames adicionais. “A próxima etapa da investigação e a estratégia de seguimento e tratamento a serem adotadas são definidas com base no tipo de HPV identificado e no contexto clínico avaliado. O acompanhamento é habitualmente feito por ginecologistas e oncologistas”, conclui.
Fonte: Profissionais Do Texto
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