Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (16), o governador em exercício, José Carlos Barbosa, o Barbosinha, confirmou que o Governo de Mato Grosso do Sul dará início a um dos maiores investimentos em saneamento básico já anunciados para a Reserva Indígena de Dourados. Ele assinou nesta manhã o contrato para implantação do sistema de abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, com recursos estimados em R$ 48,7 milhões.
De acordo com Barbosinha, o projeto foi elaborado pela Sanesul com apoio de emenda da bancada federal e agora será analisado pela Caixa Econômica Federal. Após essa etapa, será autorizada a licitação da obra, que deve ter início dentro de um prazo estimado entre quatro e seis meses. A execução completa deve levar cerca de dois anos.
“O investimento em saneamento representa saúde, qualidade de vida e dignidade. A Sanesul já alcançou 90% de coleta e tratamento de esgoto e nossa meta é ultrapassar 95% nos próximos dois anos, com universalização do serviço”, afirmou o governador em exercício. Ele destacou ainda outros investimentos anunciados em Dourados, como obras de pavimentação no Jardim Pelicano e parte do Canaã, além da entrega do novo escritório da Sanesul em Vila Vargas, somando mais de R$ 80 milhões em ações no município.
Apesar do avanço histórico, o governo reconhece que ainda há pontos importantes sem definição. Um deles é quem será responsável pela operação do sistema de abastecimento dentro da reserva indígena e como será feita a cobrança pelo consumo de água. Segundo Barbosinha, a Sanesul é uma empresa que depende da arrecadação por meio de tarifas, o que exige tratativas administrativas com os órgãos federais responsáveis pelas terras indígenas.
“Nós vamos cuidar da produção, perfuração de poços, reservação e distribuição, levando água potável até as casas. Mas a definição sobre quem vai operar o sistema e como será feita a cobrança ainda precisa ser discutida com os órgãos competentes”, explicou. A possibilidade de instalação de hidrômetros nas residências também foi citada como necessária para controle do consumo.
Enquanto a obra não sai do papel, o Estado afirma que continuará adotando medidas emergenciais para garantir o abastecimento. Atualmente, caminhões-pipa seguem sendo utilizados para atender a comunidade, com apoio da Sanesul, da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e de emendas parlamentares, que inclusive viabilizaram a entrega de novos veículos para esse fim.
A falta de água potável é um problema histórico na Reserva Indígena de Dourados. Há décadas, famílias convivem com a escassez, dependência de caminhões-pipa e armazenamento improvisado, situação que gera riscos à saúde. Nos últimos anos, a reivindicação por uma solução definitiva levou a protestos e bloqueios de rodovias por parte das comunidades indígenas.
Segundo o governo estadual, o diálogo com o governo federal segue ativo para ampliar investimentos em infraestrutura, habitação e saneamento nas aldeias. A expectativa é que, apesar das indefinições administrativas, a obra represente um marco para a melhoria das condições de vida na Jaguapiru e na Bororó.
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