Os Estados Unidos planejam interceptar ainda nesta semana um petroleiro sancionado por Washington e ligado à Venezuela que, após tentar escapar do bloqueio naval americano, passou a operar sob bandeira da Rússia — movimento que pode gerar tensão entre Washington e Moscou. Originalmente chamado de Bella 1, o petroleiro foi sancionado pelo Departamento de Tesouro dos EUA em 2024 por operar em uma “frota paralela” de navios que transportavam petróleo ilícito. A informação foi revelada pela emissora americana CBS News e confirmada pela rede CNN, que ouviu quatro fontes familiarizadas com o caso.
Inicialmente, o navio se dirigia à Venezuela, mas retornou para evitar a apreensão pela Guarda Costeira dos EUA no mês passado, quando o presidente americano, Donald Trump, anunciou um “bloqueio total” a petroleiros sancionados que tentassem entrar ou sair da Venezuela, como forma de pressionar economicamente o regime do então líder venezuelano, Nicolás Maduro. Após a captura do líder chavista em uma megaoperação americana no último sábado, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que Washington continuará a aplicar o bloqueio como “moeda de pressão” sobre o governo interino venezuelano, agora liderado por Delcy Rodríguez.
O petroleiro estava no Atlântico Norte há dois dias, navegando para nordeste próximo à costa do Reino Unido, de acordo com dados de código aberto da Kpler, uma empresa de inteligência comercial. Em determinado momento durante a perseguição, a tripulação do petroleiro pintou uma bandeira russa em seu casco e alegou estar navegando sob proteção do Kremlin. Pouco depois, a embarcação apareceu no registro oficial de navios da Rússia com um novo nome: Marinera.
Também no mês passado, o jornal americano New York Times noticiou que a Rússia apresentou um pedido diplomático formal exigindo que os EUA parassem de perseguir o navio.
De acordo com a CBS, o plano dos EUA é apreender e afundar o Bella 1 nesta semana, em uma operação que poderia ser semelhante à realizada no dia 11 de dezembro, quando fuzileiros navais americanos e a Guarda Costeira apreenderam o Skipper, um grande petroleiro com bandeira da Guiana, depois que a embarcação deixou o porto da Venezuela.

O Marinera era um navio anteriormente registrado no Panamá e foi sancionado pelo Departamento do Tesouro dos EUA em 2024, durante o governo de Joe Biden, devido ao seu envolvimento anterior no comércio de petróleo iraniano. Agora, porém, o navio navega sob bandeira russa, o que pode complicar as delicadas negociações entre os Estados Unidos e a Rússia sobre o fim da guerra na Ucrânia.
Na segunda-feira, o New York Times revelou que, pelo menos, 16 petroleiros tentaram burlar o bloqueio naval dos EUA disfarçando suas localizações ou desligando seus GPS. Washington, de acordo com a CNN, também planeja interceptar outros petroleiros sancionados, além do Bella 1, que tentam escapar.
O governo Trump acusa o regime Maduro de usar diversas embarcações para transportar drogas para o norte, em direção à costa americana. Maduro, por sua vez, rejeita as alegações e acusa os Estados Unidos de saque aos recursos venezuelanos.
Caso o Bella 1 seja interceptado pelas forças americanas, será o terceiro petroleiro apreendido pelos Estados Unidos desde o início de sua campanha contra a Venezuela, no início de setembro, com uma grande mobilização militar no mar do Caribe.
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