Com mais de 40 mm acumulados em 5 dias, Capital já alcançou quase 30% do que choveu em outubro
Alagamentos, queda de árvores, falta de luz e dificuldade de locomoção. Este é o panorama que os campo-grandenses estão enfrentando nos primeiros dias deste mês, que já alcançou cerca de 30% da precipitação acumulada em outubro, quando foram registrados 88 milimetros. Talvez o principal causador tenha sido os ventos de mais de 70 quilômetros por hora.
Segundo tabela enviada à reportagem pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), Campo Grande registrou 25 mm do dia 1º a 5 deste mês, cerca de 15% da média histórica para novembro, que é de 163,9 mm.
Somente na manhã de ontem a população enfrentou 23,8 mm de chuva e ventos de 88,9 km/h, segundo o Cemtec-MS, o que resultou em alagamentos, árvores caídas e semáforos desligados ao redor dos bairros.
No anel viário da BR-262, por exemplo, a enxurrada forçou motoristas a se aventurarem pelo gramado, o que resultou em pelo menos seis carros atolados embaixo do viaduto na saída para Três Lagoas.
Sem ter para onde escoar, a água acumulou embaixo do viaduto, levando motoristas a tentar desviar pelo gramado. Alguns conseguiram “fugir” do tráfego, enquanto outros acabaram atolando. Inclusive, um veículo caiu em um buraco e ficou com a traseira erguida.
Como de costume quando Campo Grande é atingida por chuvas e ventos fortes, alguns semáforos da região central da cidade foram flagrados desligados, o que prejudicou ainda mais o trânsito.
De acordo com a Defesa Civil do Município, foram realizados 35 atendimentos em endereços de Campo Grande por consequência das chuvas, a grande maioria por desobstrução de via, com as regiões do Anhanduizinho e Bandeira recebendo mais atendimento. Até mesmo a linha de emergência do órgão sofreu com as pancadas de chuva, o que fez o telefone ficar fora do ar por algumas horas.

Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado
Responsável pela energia da cidade, a Energisa confirmou que as fortes tempestades causaram danos severos à rede elétrica, com “árvores, galhos, placas e telhas lançados sobre a fiação, causando queda de postes e rompimento de cabos”, informou em nota. Por isso, a empresa orienta para que a população mantenha distância de fios soltos em ruas e avenidas públicas.
Segundo informações do Executivo Municipal, a Central 156 recebeu em torno de 40 solicitações referentes à queda de árvores. Desde domingo, foram 50 registros feitos na Defesa Civil. Além disso, a cidade segue em alerta laranja em razão da possibilidade de novas tempestades nas próximas 48 horas.
DIARISTA ARRASADA
Há pelo menos três anos, a diarista Maria Virginia da Rocha, de 64 anos, buscava na Prefeitura evitar que a árvore em frente a sua casa destruísse o lar em que vive com o esposo e a filha, na Rua Elpídio Espíndola, no Jardim das Nações.
A casa com dois quartos, sala e cozinha foi destruída por volta das 11h de ontem durante as chuvas e fortes ventos que atingiram a Capital.
A queda do pé de Guapuruvu, de aproximadamente 10 metros, destelhou grande parte da residência, que foi amplamente danificada, sobretudo no quarto da filha, como relatou Maria ao Correio do Estado.
“Perdi tudo, apesar disso, o meu quarto não foi atingido tanto quanto o da minha filha, onde a queda das telhas destruiu a cama e todo o guarda-roupa”, declarou a diarista.

Maria Virginia buscará reformar casa com ajuda de amigos e vizinhos – Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado
Apesar das perdas materiais, nem ela, o marido e a filha foram atingidos pela queda dos galhos. No momento em que a árvore caiu, Maria Virgínia faxinava a casa de uma de suas vizinhas, enquanto sua filha foi “salva” por atender uma de suas netas que estava no portão da casa.
À reportagem, detalhou que sentiu necessidade de ligar para a filha durante a forte chuva, feito que foi interrompido por seu marido, que já estava no portão do seu local de trabalho, justamente para avisar sobre o ocorrido.
“Senti que deveria ligar para minha filha. Ligava e ela não atendia, então eu me desesperei, quando vi o meu marido no portão do meu local de trabalho, ele veio justamente para avisar sobre a queda da árvore”, falou.
Como detalhou, a família buscava evitar que a grande árvore pudesse destruir a casa, adquirida em 2006 por meio da Agência Municipal de Habitação (Emha). Desde 2022, Maria buscava ajuda na Prefeitura sobre a árvore.
INTERIOR
De acordo com levantamento do Cemtec-MS, de 1h50min até 13h50min de ontem, três cidades da região Centro-Sul foram destaques em chuvas acumuladas neste período de 12 horas: Angélica, com 119,6 mm; Ivinhema, com 91,2 mm; e Dourados, com 81 mm.
Outros municípios próximos também registraram forte precipitação da madrugada até início da tarde de ontem, como Fátima do Sul (65 mm), Rio Brilhante (57,6 mm), Itaporã (43,4 mm), Naviraí (41,2 mm), Nova Andradina (35,2 mm) e Nova Alvorada do Sul (27 mm).
Em Naviraí, a população flagrou uma tenda, que era montada para a festa em comemoração aos 62 anos do município, sendo arrastada. Porém, mesmo diante destes casos, a Defesa Civil do Estado afirmou que nenhum atendimento foi feito no interior.
Nos cinco primeiros dias de novembro, Angélica é a única cidade do Estado que já superou a média histórica: 144,2 mm contra 142,6 mm esperado. Além disso, Rio Brilhante (132,4 mm), Dourados (114,4 mm), Aral Moreira (110,2 mm) e Amambai (101 mm) também já ultrapassaram a barreira dos 100 mm em 120h deste mês.
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