E se os Estados Unidos invadirem a Venezuela?
Disparidade militar entre EUA e Venezuela é abissal: enquanto Washington tem as Forças Armadas mais poderosas do mundo, Caracas ocupa apenas a 50ª posição. Crédito: Amanda Botelho e Gabriella Lodi/Estadão
Em meio ao aumento dos temores sobre uma operação militar americana na Venezuela para derrubar o ditador Nicolás Maduro, o Pentágono e agências de inteligência ofereceram três alternativas de ação ao presidente Donald Trump.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assina ordens executivas no Salão Oval Foto: Jacquelyn Martin/AP
Entenda abaixo os planos em discussão no Pentágono e como a Venezuela poderia reagir.
As propostas em discussão se dividem em três grandes categorias, mas o presidente ainda está relutante sobre como agir. A autorização concedida pelo presidente americano, Donald Trump, para que a CIA opere dentro das fronteiras da Venezuela poderia permitir que a agência realizasse uma série de atividades, desde operações de informação e fomento da oposição a Maduro até a sabotagem ativa de seu governo — e até mesmo a captura do próprio líder.
Planos americanos
A primeira opção envolveria ataques aéreos contra instalações militares venezuelanas, algumas das quais poderiam estar envolvidas no tráfico de drogas, com o objetivo de minar o apoio militar a Maduro. Se Maduro acreditar que não está mais protegido, pode tentar fugir — ou, ao se deslocar pelo país, tornar-se mais vulnerável à captura, dizem as autoridades. Mas os críticos dessa abordagem alertam que ela poderia ter o efeito oposto, fortalecendo o apoio ao líder sitiado.
Uma segunda abordagem prevê o envio de forças de Operações Especiais dos Estados Unidos, como a Força Delta do Exército ou o SEAL Team 6 da Marinha (principal unidade de resgate de reféns e contraterrorismo), para tentar capturar ou matar Maduro.

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, participa de uma coletiva de imprensa, em Caracas Foto: Jesus Vargas/ AP
Nessa opção, o governo Trump buscaria contornar as proibições contra o assassinato de líderes estrangeiros argumentando que Maduro é, antes de tudo, o chefe de uma quadrilha de narcoterroristas, uma extensão dos argumentos usados para justificar os ataques aéreos dos EUA contra embarcações que, segundo o governo, transportam drogas.
O Departamento de Estado oferece uma recompensa de US$ 50 milhões (R$ 270 milhões) pela prisão ou condenação de Maduro. O governo Trump também pode argumentar que, como Maduro reprimiu a oposição e trabalhou para fraudar as eleições, ele não é o líder legítimo do país. O governo de Joe Biden se recusou a reconhecê-lo como presidente da Venezuela depois que ele declarou vitória no ano passado.
Uma terceira opção envolve um plano muito mais complexo para enviar forças antiterroristas americanas a fim de assumir o controle de aeroportos e de pelo menos alguns dos campos de petróleo e infraestrutura da Venezuela.
Essas duas últimas opções acarretam riscos muito maiores para militares americanos em terra — sem mencionar os civis —, especialmente se a operação ocorrer em ambiente urbano como Caracas, a capital do país.

O piloto Bitner Villegas recebeu uma proposta dos Estados Unidos para participar de uma operação americana que acarretaria na prisão do ditador Nicolás Maduro Foto: AP/ Reprodução
Reação chavista
Em teoria, a Venezuela parece ter defesas robustas que poderiam desafiar o poderio militar dos Estados Unidos: mísseis de cruzeiro iranianos projetados para destruir embarcações no mar; mísseis terra-ar russos para atingir aeronaves voando em baixa altitude; veículos blindados chineses para reprimir protestos; e até mesmo alguns caças F-16 americanos já obsoletos.
O arsenal incomum do país, adquirido em grande parte de adversários dos EUA e combinado com anos de armamento de civis para reforçar suas defesas, destaca os desafios que os Estados Unidos podem enfrentar.
Mas as aparências enganam. Ao contrário das forças armadas da vizinha Colômbia, as forças armadas da Venezuela não têm experiência em combates reais.

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino Lopez, discursa para tropas venezuelanas em Caracas, Venezuela Foto: Pedro Mattey/AFP
Os caças Sukhoi de fabricação russa formam a espinha dorsal da defesa aérea da Venezuela. Em teoria, esses aviões conferem à Venezuela uma das frotas de aeronaves de combate mais capazes da América Latina, equipada com mísseis ar-ar de longo alcance.
Mas persistem dúvidas sobre quantos Sukhois da Venezuela estão operacionais. A Venezuela realizou um sobrevoo com dois de seus antigos F-16, fabricados nos EUA, em setembro, em uma demonstração de força sobre um destróier de mísseis guiados da Marinha dos EUA.
As estimativas variam bastante, mas acredita-se que a Venezuela possua, ao todo, mais de 30 aeronaves de combate operacionais, mais de 40 navios de guerra e até 200 tanques.
A Venezuela também mantém um dos maiores Exércitos permanentes da América Latina. Em todos os ramos, a Venezuela tem cerca de 150 mil membros em suas forças armadas, afirmou John Polga-Hecimovich, especialista em Venezuela da Academia Naval dos EUA.
A Venezuela complementa essas forças com células armadas pró-Maduro, chamadas coletivos, que funcionam como forças paramilitares de apoio ao governo e, embora nunca tenham sido testadas em combate, poderiam ajudar a repelir uma invasão.
A Milícia Bolivariana, que organiza civis em unidades de reserva armadas, poderia fornecer outra camada de defesa.
Há anos, os líderes da Venezuela se preparam para o que chamam de guerra assimétrica, elaborando planos de insurgência contra um rival muito maior e armando civis para resistir a uma invasão dos EUA.
As células paramilitares de rua poderiam, por exemplo, transformar Caracas em um teatro mortal para a guerra de guerrilha urbana, na qual os combatentes encontram refúgio na topografia acidentada da cidade e em prédios abandonados, disseram especialistas em segurança./com NYT
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