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Empregos do futuro: estudo inédito propõe caminhos para uma transição justa de baixo carbono com inclusão produtiva no Brasil

Samuel Azevedo por Samuel Azevedo
29/10/2025
no Brasil
Tempo de leitura:6 minutos de leitura
17
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Lançada pela Agenda Pública, em parceria com a Fundação Grupo Volkswagen, tese detalha impactos da transição verde e digital em diferentes territórios e perfis populacionais

O Brasil pode criar 7,1 milhões de empregos verdes até 2030 e 15 milhões até 2050 com a transição para uma economia de baixo carbono. É o que revela a tese Empregos do Futuro no Brasil: Transição Justa para Economias de Baixo Carbono, lançada pela Agenda Pública em parceria com a Fundação Grupo Volkswagen. O estudo analisa os impactos da descarbonização e da transformação digital no mercado de trabalho e aponta medidas para ampliar a mobilidade social a partir da inclusão produtiva.

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A tese parte de uma ideia central: a transição para a economia de baixo carbono não é apenas uma pauta ambiental, é uma agenda de desenvolvimento socioeconômico capaz de reestruturar cadeias produtivas e ampliar a mobilidade social, se for bem conduzida. O estudo identifica vetores de geração de emprego em áreas como energias renováveis, economia circular, design sustentável, bioplásticos, construção sustentável, bioeconomia, restauração ecológica, agricultura regenerativa, veículos elétricos e mobilidade com baixas emissões, tratamento e reuso de água e esgoto, acompanhadas da modernização das políticas locais de desenvolvimento econômico.

Todos têm potencial para gerar novas oportunidades, trazer mais competitividade, absorver mão de obra, qualificar postos de trabalho e impulsionar inclusão produtiva e resiliência local, especialmente em territórios com economias baseadas em atividades carbono-intensivas, como óleo e gás, químico, siderurgia e mineração, cimento, papel e celulose, mobilidade ou agro praticado no modelo tradicional.

De acordo com Sergio Andrade, diretor executivo da Agenda Pública e coordenador geral da pesquisa, “modernizar as políticas estaduais e municipais de desenvolvimento econômico é uma urgência estratégica. A transição para economias de baixo carbono não pode ser conduzida com instrumentos do passado. É preciso construir políticas que promovam reconversão produtiva, atraiam investimentos sustentáveis e criem empregos de qualidade alinhados às vocações dos territórios. Nossa pesquisa mostra que os municípios mais expostos à descarbonização também podem ser os grandes protagonistas da nova economia — desde que tenham capacidade institucional, acesso a financiamento e políticas de qualificação adequadas. É nesse horizonte que a Plataforma de Transição Justa atua”.

“A transição só gerará impacto social se vier acompanhada de investimentos estruturantes. Muitos dos locais com maior potencial de crescimento concentram juventudes fora da escola e baixos níveis de infraestrutura, o que exige ação coordenada entre diferentes setores”, complementa Vitor Hugo Neia, diretor-geral da Fundação Grupo Volkswagen.

Diagnóstico territorial da transição

Para comparar realidades tão distintas, a pesquisa desenvolveu o Índice de Capacidade de Transição Sustentável Municipal (ICTSM). O índice integra dois conjuntos de evidências: Vulnerabilidade Socioeconômica (informalidade, renda, escolaridade e capacidade fiscal) e Capacidade Adaptativa (qualificação da força de trabalho, infraestrutura educacional e industrial, ativos de P&D e inovação e mobilização institucional). O índice varia de 0 a 1 e classifica os municípios em perfis como resiliente, emergente, em atenção e crítico, indicando onde é preciso agir primeiro.

A mensuração da capacidade de transição observa cinco dimensões do mercado de trabalho local. Em primeiro lugar está o capital humano, que considera a densidade de profissionais com ensino médio, superior e o volume de matrículas em cursos técnicos. Soma-se a isso a dimensão da inovação e tecnologia, medida pela presença de profissionais dedicados à pesquisa e desenvolvimento. A diversificação econômica, avaliada pelo índice de concentração setorial, e a capacidade fiscal, identificada pela receita própria per capita dos municípios, também integram a equação.

Por fim, tem-se o dinamismo empresarial, calculado a partir da quantidade de microempreendedores individuais por habitante. A união desses indicadores permite estimar preparo formativo, absorção tecnológica e resiliência econômica dos territórios.

Cadeias e territórios estratégicos

A análise setorial e territorial da tese envolve oito estados e mostra como os impactos e oportunidades da transição variam de acordo com a dependência econômica de cada região. No Rio de Janeiro, a forte vinculação ao petróleo e ao gás exige diversificação com destaque para energia offshore e requalificação profissional. Na Bahia e em Pernambuco, polos como Camaçari e Suape podem se tornar laboratórios da indústria verde explorando cadeias de hidrogênio, química circular e biotecnologia desde que juventudes e comunidades locais tenham acesso às novas oportunidades.

Em São Paulo, a cadeia automotiva coloca o estado na dianteira da reconversão para veículos elétricos e manufatura digital. O risco está na velocidade de adaptação, que depende de investimentos em inovação, qualificação e atração de fornecedores globais. No Mato Grosso, a forte dependência da agropecuária extensiva mostra a urgência da diversificação produtiva. Em contrapartida, o grande contingente de jovens representa um ativo estratégico desde que apoiado por formação técnica e políticas de inovação.

A Amazônia Oriental, que abrange o Pará e o Maranhão, traz um paradoxo. O território concentra mais de 80 mil jovens, mas sua economia continua centrada em setores de alta emissão como mineração e papel e celulose. O futuro dependerá da capacidade de investir em qualificação, ampliar infraestrutura e usar instrumentos nacionais como a Taxonomia Sustentável Brasileira, a Nova Indústria Brasil e o Plano de Transformação Ecológica para financiar projetos de transição inclusiva.

“A tese reforça que o futuro do trabalho no Brasil depende de como transformamos a transição justa em oportunidades concretas de inclusão produtiva. É essencial que os novos empregos e cadeias produtivas verdes cheguem também às populações historicamente excluídas. Nosso papel é apoiar a construção de caminhos que unam sustentabilidade e geração de renda garantindo que jovens, mulheres e comunidades vulneráveis tenham condições reais de mobilidade social nesse novo cenário”, afirma Neia.

Um dos focos centrais do estudo está nas juventudes negras e periféricas. Dados da publicação mostram que 42% dos jovens negros entre 18 e 24 anos estão fora da escola ou do ensino superior, enquanto entre jovens brancos essa taxa é de 22%. Sem políticas específicas, o risco é que esses públicos continuem à margem dos empregos mais qualificados gerados pela transição.

Recomendações para uma transição justa

A tese recomenda pactos territoriais com metas e financiamento, governança participativa e integração entre políticas industriais, ambientais e sociais. Entre os próximos passos está quantificar impactos socioeconômicos, fortalecer participação social qualificada, alinhar cadeias de valor às metas climáticas e territorializar instrumentos nacionais para acelerar projetos-âncora e requalificação profissional.

“A transição justa não é apenas uma agenda ambiental, mas uma agenda de resiliência econômica. O estudo mostra que o futuro dos territórios depende da capacidade de mobilizar instrumentos de desenvolvimento para diversificar economias locais, reduzir vulnerabilidades e estruturar políticas ancoradas em inteligência produtiva. Os empregos do futuro exigem um novo pacto territorial em torno da modernização econômica”, afirma Andrade

O estudo conclui que não há uma solução única para todos os territórios. Cada estado e município analisado possui desafios e potencialidades próprias, o que exige estratégias personalizadas de transição. Reconhecer essas especificidades, seja no Quadrilátero Ferrífero, nos polos petroquímicos do Nordeste, na agropecuária do Mato Grosso ou na Amazônia Oriental, é o primeiro passo para transformar a agenda de empregos do futuro em motor de desenvolvimento inclusivo, sustentável e duradouro.

Sobre a Plataforma de Transição Justa

A Plataforma de Transição Justa é uma iniciativa que apoia governos locais, empresas e trabalhadores na construção de estratégias para diversificação produtiva e reconversão econômica em territórios com atividades carbono-intensivas. Por meio de inteligência territorial, pesquisas e metodologias aplicadas, a Plataforma estrutura carteiras e escritórios de projetos, instrumentos de desenvolvimento voltados à geração de empregos sustentáveis, ampliação da competitividade regional e fortalecimento da resiliência fiscal. Atua para territorializar políticas nacionais como a Nova Indústria Brasil e o Plano de Transformação Ecológica, promovendo inovação, pactos multissetoriais e desenvolvimento orientado pelas vocações locais. Seu foco é transformar a transição climática em oportunidades concretas de prosperidade regional. Acesse a plataforma para saber mais.

Fonte: Trama Comunicacao

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