As tarifas de Donald Trump estão pressionando a espinha dorsal da economia dos Estados Unidos.
Enquanto muitas grandes empresas conseguiram absorver os encargos crescentes que entraram em vigor no mês passado sem repassar preços mais altos aos consumidores, um número crescente de pequenos negócios está enfrentando um momento decisivo. Muitas pequenas empresas não tinham recursos financeiros nem espaço de armazenamento para estocar mercadorias antes da vigência das tarifas. Além disso, têm relutado em aumentar preços para não afastar clientes.
Isso as deixou especialmente vulneráveis aos recentes choques de preços, com margens de lucro em deterioração e poucas alternativas. Como os pequenos negócios são motores cruciais de emprego e crescimento, sua saúde pode ter efeitos de longo alcance em uma economia incerta.

A Total Promotion Company, uma pequena empresa de Las Vegas que fabrica roupas e produtos personalizados, importa a maior parte de suas roupas e materiais de impressão da China Foto: Mikayla Whitmore/The New York Times)
“Está difícil respirar”, disse Brandon Mills, presidente da Total Promotion Company, uma pequena empresa em Las Vegas que fabrica produtos promocionais, roupas personalizadas e mercadorias. Mills, que importa a maior parte do vestuário e materiais de impressão da China, afirmou que os custos das tarifas corroeram tanto suas margens em alguns pedidos que ele frequentemente se pergunta se não teria sido melhor nem atendê-los.
Para compensar, reduziu outras despesas: demitiu um dos sete funcionários, um bordador, e pediu ao banco uma linha de crédito para pagar as contas durante um período de baixa demanda. Aumentou preços de algumas peças, mas evita novos repasses para não prejudicar ainda mais as vendas. “É difícil ter de sobreviver por causa de uma política ruim”, afirmou.
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), destacou neste mês as dificuldades dos pequenos negócios, dizendo que empresas “entre o exportador e o consumidor” são as mais impactadas. Segundo ele, quem compra insumos para revenda ou fabricação provavelmente está absorvendo grande parte dos custos e ainda não consegue repassá-los ao consumidor.
Um estudo do Federal Reserve de Atlanta mostrou que 86% das empresas americanas que importam por via marítima — principal canal do comércio internacional — têm menos de 50 empregados. Diferentemente das grandes corporações, esses pequenos negócios geralmente dependem de um único fornecedor e país, ficando mais expostos a aumentos bruscos de tarifas e sem capacidade de diversificar cadeias de suprimentos.
A análise concluiu que importadores de menor porte tendem a ter menos condições de resistir aos custos mais altos e de trocar de fornecedor, o que pode levar a inadimplência e falências.
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Embora os indicadores econômicos ainda não mostrem totalmente o impacto, porque muitas tarifas pesadas estão em vigor apenas desde agosto, setores como varejo e atacado já registram mais dificuldades. Economistas preveem efeitos mais visíveis ao longo do tempo, sobretudo quando as empresas fecharem o balanço do ano fiscal.
Casos como o de Kimberly Hyde, dona da floricultura Beet & Yarrow, em Denver, revelam surpresas. Ela importa flores da Colômbia e do Equador, além de vasos da China e da Índia. Segundo ele, alguns fornecedores passaram a cobrar 15% a mais no meio do ano. Hyde repassa parte desse custo, mas teme que clientes não aceitem preços muito altos. Para compensar, tem feito ajustes sutis, como reduzir um ou dois caules nos arranjos sem alterar o valor final.
As tarifas também levaram pequenos empresários a se manifestar publicamente. Lori Andre, dona da loja Lori’s Shoes, em Chicago, relatou que aumentou preços em 10%, demitiu um funcionário e suspendeu reajustes salariais para cerca de 35 empregados. Ainda assim, sua empresa pagou US$ 74 mil em tarifas sobre pedidos de calçados italianos, o dobro do que teria desembolsado em anos anteriores.
“Quando olhamos o quadro geral, vamos sobreviver”, disse ela. “Mas o lucro não será o mesmo.”
Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.
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