A Embraer, fabricante de aviões brasileira, anunciou nesta quarta-feira nos Estados Unidos, que a Avelo Airlines fez um pedido firme de 50 jatos E195-E2, com direitos de compra para mais 50 unidades — o que elevaria o negócio até US$ 8,8 bilhões. As entregas têm início previsto para o primeiro semestre de 2027. O valor de tabela do pedido é de US$ 4,4 bilhões.
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O anúncio acontece em meio a imposição de tarifas do presidente Donald Trump aos produtos brasileiros. A Embraer ficou livre a tarifa adicional de 40%, mas os aviões da empresa ainda terão a tarifa mínima de 10%. A fabricante de aviões continua negociando com o governo americano para baixar essa alíquota a zero.
De acordo com comunicado da empresa, a Avelo será a primeira companhia aérea dos Estados Unidos a operar a maior e mais avançada tecnologicamente aeronave comercial da Embraer. O negócio, segundo a Embraer, trata-se de um marco para o Programa E2. Os aviões E195-E2 vão modernizar a frota da Avelo, complementando a operação de seus Boeing 737NGs, ampliando a eficiência de custos e o alcance da malha aérea.
O analista do Itaú BBA, Daniel Gasparete, observa que o negócio para a Embraer estabelece uma referência de lançamento nos EUA para o programa E2. Ele avalia que a notícia traz otimismo adicional para as ações da fabricante de aviões, que nos últimos dias já subiram cerca de 5%.
“Este acordo pode sinalizar a abertura de um novo mercado para o E2, um aumento adicional na carteira de pedidos da empresa (aproximadamente 7% do total), elevando-a para algo perto de US$ 30 bilhões no terceiro trimestre do ano. Esses esforços comerciais aprimorados da empresa, podem gerar negócios favoráveis no futuro”, afirmou o analista em relatório a clientes.
O analista Ilan Arbetman, da Ativa investimentos, avalia o negócio como bom para a Embraer, já que a venda desse tipo de aeronave, de nova geração e num grande mercado, era um desafio para a fabricante brasileira
— Sem dúvida representa um salto para as pretensões da Embraer. Trata-se de um pedido grande num mercado grande, que ainda não tinha aeronaves da nova geração da fabricante brasileira — diz o analista.
Os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia, e Samuel Alkmim, do BTG, observam em relatório que o pedido representa um marco histórico, pois é o primeiro do E195-E2 de uma companhia aérea com sede nos EUA.
“O acordo segue um esforço comercial gradual e direcionado da Embraer para aumentar a exposição do E2 no mercado norte-americano”, escreveram.
As ações da Embraer, no entanto, operavam em queda de 1,6%, no final da tarde. Para os analistas, é um movimento que pode ser explicado pelo movimento de “compre no boato e venda no fato”, já que desde a semana passada se esperava que a Embraer fizesse algum anúncio importante no mercado americano. Desde então, os papéis da empresa subiram quase 7%. Portanto, quem comprou os papéis e está vendendo hoje, embolsa esse ganho.
Eficiente em pistas curtas
O modelo comprado pela Avelo tem desempenho eficiente em pistas curtas, viabilizado pelo Sistema de Decolagem Aprimorado da Embraer (E2TS). De acordo com a Embraer, essa tecnologia pode abrir novos mercados para a Avelo, além de ampliar a eficiência em muitos dos aeroportos já atendidos pela companhia aérea. A embraer também destaca o alcance da aeronave, sua eficiência de combustível e seu baixo nível de ruído como diferenciais do E195-E2.
“Estamos entusiasmados com a parceria com a Embraer e por trazer o melhor avião narrowbody (de corpo estreito) de pequeno porte do mercado para os Estados Unidos. Nossos clientes poderão aproveitar o conforto dos assentos 2×2, as tomadas individuais, os bagageiros espaçosos e a cabine silenciosa do E2″, fundador e CEO da Avelo Airlines.
“Seu consumo de combustível extremamente eficiente, sua operação silenciosa e a capacidade de operar em pistas curtas permitirão a abertura de novos mercados, otimizando a capacidade em toda a sua malha aérea”, disse também em nota Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial.
Desde que começou a operar em 28 de abril de 2021, a Avelo já transportou quase oito milhões de clientes em mais de 62 mil voos com sua frota de 22 aeronaves Boeing 737 Next Generation. A companhia atende 47 cidades em 18 estados e Porto Rico, além de três destinos internacionais: Jamaica, México e República Dominicana.
Embraer acena com investimentos nos EUA
A Embraer ficou livre do adicional de 40% em tarifas anunciado por Donald Trump, elevando a taxa cobrada de produtos brasileiros para 50%. Os aviões vendidos aos EUA pela fabricante serão taxados em 10%, alíquota mínima imposta pelo governo americano.
Ainda assim, a empresa, está empenhada na busca pela tarifa zero e já acena com investimentos de US$ 500 milhões nos EUA. Os recursos seriam aplicados numa fábrica para montar o KC-390 no país, caso o avião seja escolhido pela Força Aérea americana.
— Estamos em conversas avançadas com um parceiro relevante nos Estados Unidos para esse projeto. Continuamos acreditando e defendendo firmemente o retorno à política de tarifa zero para a indústria espacial global, que foi o padrão nos últimos mais de 45 anos — disse o presidente da Emebraer, Francisco Gomes Neto, em recente entrevista coletiva.
Em outra frente, a companhia já havia anunciado investimentos de US$ 500 milhões ao longo de cinco anos para ampliar sua fábrica em Melbourne, na Flórida. Lá, a Embraer fabrica jatos executivos, como os modelos Phenom e Legacy, já que o mercado americano é o mais importante para a empresa nesse segmento. As promessas de investimento são um ponto importante dentro da estratégia de convencimento do govberno americano para voltar ao quadro de tarifa zero.
Potencial de negócios de US$ 21 bilhões
A Embraer também está usando como argumento a seu favor um potencial de negócios de US$ 21 bilhões, até 2030, com empresas americanas. A companhia compra de fornecedores dos EUA componentes para seus aviões que serão exportados a diversos países. E as empresas aéreas que compram seus aviões fecham contratos de serviços com esses fornecedores, ampliando o potencial de negócios para os americanos.
O mercado americano é o mais importante para a empresa, que está há 45 anos está naquele país e tem uma unidade com 3 mil funcionários, além de US$ 3 bilhões em ativos. Os EUA representam 45% de mercado de seus jatos comerciais e 70% dos jatos executivos.
O presidente da companhia disse que os números do segundo trimestre já refletem impacto de nova tarifa, ponderando que o efeito “ainda não é significativo”.
— O impacto total na receita previsto é de US$ 65 milhões neste ano, com tarifa de 10%. Até agora, já foram 20% (US$ 13 milhões) — disse ele, durante apresentação dos resultados.
Ele disse que os 80% restantes virão até o fim do quarto trimestre, se a tarifa for mantida em 10%. O executivo disse que a empresa conseguiu mitigar impacto maior reduzindo custos em diversas áreas.
A fabricante de aviões divulgou prejuízo de R$ 53,4 milhões entre abril e junho, revertendo ganho de R$ 415,7 milhões no mesmo período do ano passado.
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