Um microfone aberto em um desfile militar em Pequim captou uma conversa privada entre os líderes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, sobre como os transplantes de órgãos poderiam levar à imortalidade, segundo o jornal britânico The Guardian. As imagens foram transmitidas ao vivo pela mídia estatal CCTV para outros meios de comunicação, incluindo as agências internacionais de notícias Associated Press e Reuters, durante o encontro pelos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Sino-Japonesa.
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O papo entre os aliados se deu enquanto eles caminhavam à frente de uma delegação de líderes de outros países, como o par norte-coreano, Kim Jong-un, em direção a uma plataforma na Praça Tiananmen, onde acompanhariam a apresentação das tropas. De um lado, o intérprete de Putin pôde ser ouvido dizendo em chinês:
— A biotecnologia está em constante desenvolvimento — seguido de um trecho inaudível, o funcionário do Kremlin acrescentou: — Órgãos humanos podem ser continuamente transplantados. Quanto mais você vive, mais jovem você fica e [pode] até alcançar a imortalidade.
De outro, Xi, que estava fora da câmera, pôde ser ouvido respondendo em chinês:
— Alguns preveem que, neste século, os seres humanos poderão viver até 150 anos — comentou.
Mais tarde, o presidente russo confirmou a repórteres que havia discutido com Xi as perspectivas de um aumento significativo da expectativa de vida humana.
Embora Kim estivesse sorrindo e olhando na direção de Putin e Xi, não ficou claro se a conversa era traduzida para ele. Na sequência, as imagens mostraram os três líderes subindo os degraus em direção à plataforma de observação do desfile.
Ao longo de suas vidas, tanto o russo quanto o chinês demonstraram pouca intenção de abrir mão do poder. Em 2018, Xi aboliu os limites do mandato presidencial, abrindo caminho para ele governar indefinidamente. Putin também alterou a lei para permitir que permanecesse no cargo.
Em uma demonstração de poder político e bélico, a China reuniu líderes de países não alinhados ao Ocidente em Pequim nesta quarta-feira (noite de terça em Brasília) para o desfile militar. A exibição pública, que o Exército de Libertação Popular afirmou que contou apenas com armamentos de fabricação 100% chinesa, foi marcada por várias simbologias, em um momento em que o líder chinês reforça alianças alheias ao Ocidente e molda narrativas — incluindo sobre o conflito histórico — em torno de seus objetivos geopolíticos.
Além de Putin e Kim, estiveram ao lado de Xi outros notórios opositores do modelo de governança liderado pelos EUA e seus aliados da Otan (aliança militar do Ocidente). Entre outros, também foram ao evento na capital chinesa o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, usando a viagem a Pequim como um raro momento de diálogo presencial. A mídia estatal chinesa publicou conversas entre alguns deles durante encontros bilaterais, em que reafirmaram apoio mútuo.
Como anfitrião, Xi participou de várias dos conversas. A liderança comunista declarou apoio ao Irã na “defesa de sua soberania nacional”, em conversa com Pezeshkian na véspera, e fez acenos a Putin, afirmando que as relações entre Moscou e Pequim “resistiram às mudanças no cenário internacional” e classificando os russos como parceiros na “construção de um sistema de governança global mais justo e razoável”.
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