Uma professora de 73 anos aposentada da rede pública de São Paulo foi a pivô da Operação Ícaro, do Ministério Público do Estado, que levou à prisão executivos da Ultrafarma e a Fast Shop e agora pressiona outras gigantes do varejo.
Kimio Mizukami da Silva é mãe do auditor fiscal de Rendas Artur Gomes da Silva Neto, preso nesta terça, 12, sob suspeita de liderar esquema que teria arrecadado R$ 1 bilhão em propinas para ele e colegas da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo.
Sem nenhuma experiência comprovada em gestão tributária, Kimio consta como dona da empresa Smart Tax, que presta consultoria na área.
Em 2021, Kimio declarou R$ 411 mil ao Imposto de Renda. O patrimônio saltou para R$ 46 milhões em 2022 e para R$ 2 bilhões em 2024, em decorrência dos “rendimentos” da empresa.
Segundo a declaração de Kimio à Receita Federal, o aumento patrimonial teria decorrido, em grande parte, da compra de criptomoedas com os lucros da empresa. A professora também declarou guardar a vultosa quantia de R$ 6 milhões em dinheiro vivo em sua casa.
“Os dados fiscais enviados pela Receita Federal nos autos da quebra permitiram constatar evolução patrimonial absurda por parte de Kimio”, apontou o Ministério Público na representação da Operação Ícaro.

Evolução patrimonial Kimio Mizukami da Silva deu início ao inquérito. Foto: Reprodução/processo judicial
A Smart Tax está registrada em endereço residencial em Ribeirão Pires, no ABC paulista, e não tem funcionários cadastrados.
O endereço é o mesmo em que promotores do Gedec (braço do Ministério Público que combate delitos econômicos) e policiais militares prenderam o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto na Operação Ícaro. Artur é apontado como o “cérebro” do esquema bilionário de corrupção na Divisão de Fiscalização da pasta.
Segundo a investigação, Kimio era usada como laranja na Smart Tax, empresa de fachada, para Artur lavar propinas de gigantes do varejo em troca da liberação de créditos de ICMS. O Estadão busca contato com as defesas.
Mãe e filho fundaram a empresa juntos, segundo documentos cadastrais, mas Artur deixou o quadro societário em 2013.
O Ministério Público afirma que o fiscal orientou empresas em relação a pedidos de ressarcimento, compilando documentos para serem enviados à Secretaria da Fazenda e, em alguns casos, acelerando os procedimentos para autorizar internamente os pedidos. Em troca de propinas milionárias, essas empresas “furavam” a fila de pedidos, em processos administrativos complexos e, via de regra, demorados.
COM A PALAVRA, AS DEFESAS
A reportagem busca contato com as defesas. O espaço está aberto para manifestação ([email protected]; [email protected]).
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