O presidente americano Donald Trump afirmou na tarde de hoje na Casa Branca que o Brasil “tem sido um parceiro comercial horrível” ao cobrar dos EUA “tarifas enormes”, ignorando mais uma vez que seu país tem superávit comercial nessa relação bilateral.
Em Recife, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu acusando Trump de “contar mentiras” e defendeu que os números comprovam que a relação comercial é vantajosa para os EUA.
— O Brasil tem algumas leis muito ruins acontecendo, em que eles pegaram um presidente e o colocaram na prisão, ou estão tentando colocá-lo na prisão — afirmou Trump sobre a prisão domiciliar do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, ao responder perguntas de jornalistas em Washington.
O ex-presidente brasileiro é processado por formação de organização criminosa numa tentativa de golpe de Estado e teve a prisão domiciliar decretada após desrespeitar uma série de restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no STF.
Seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), faz lobby nos EUA junto à Casa Branca em favor de sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras, numa tentativa depressionar o Congresso a votar um projeto de anistia que possa beneficiar o pai.
— Eles também nos trataram mal como parceiros comerciais por muitos, muitos anos, um dos piores, um dos piores países do mundo — acrescentou Trump, ignorando o fato de o Brasil ser deficitário na relação comercial com os EUA. — Agora estão recebendo tarifas de 50% e não não muito felizes, mas é assim que funciona.
Trump contraria números, e Lula reage
Também hoje, o presidente Lula voltou a criticar o tarifaço de Trump. Ele afirmou que não vai “ficar chorando, rastejando” e reiterou que vai procurar outros países para abrir novos mercados a produtos brasileiros.
— Ele (Trump) disse que tinha prejuízo no comércio com o Brasil, mas eles só têm lucro. Venderam para nós US$ 87 bilhões e nós vendemos para eles US$ 80 bilhões. Já ganharam US$ 7 bilhões. Em 15 anos, tiveram lucro de US$ 410 bilhões — disse Lula — O Brasil é bom, o Brasil só não vai ficar de joelhos para o governo americano.
O presidente americano contraria fatos já demonstrados pelo governo brasileiro. O Brasil é um dos poucos países do mundo que têm déficit comercial com os EUA. Ou seja, o país compra mais produtos dos americanos do que vende para a maior economia do mundo desde 2009. Portanto, a relação comercial entre os dois países é vantajosa para os EUA.
Ao ser sobretaxado em 50% pelos EUA, o Brasil se tornou o primeiro país a receber uma das notificações tarifárias de Donald Trump que não estavam na lista inicial de alvos, quando ele anunciou o aumento das chamadas tarifas recíprocas em abril. Entre os motivos, citou temas de natureza política, como o julgamento de Bolsonaro.
Em 2024, o Brasil importou cerca de US$ 44 bilhões em produtos americanos, enquanto exportações brasileiras para os EUA ficaram em torno de US$ 42 bilhões, de acordo com as estatísticas americanas, o que coloca o Brasil entre os 20 principais parceiros comerciais dos EUA.

Questionado por um repórter sobre a aproximação do Brasil de outros países, como México e China, para uma reação conjunta guerra tarifária promovida pelos EUA com sobretaxas a importações americanas de mais de uma centena de países, Trump afirmou “não estar nem um pouco preocupado”:
— Eles podem fazer o que quiserem. Nenhum deles está indo muito bem, estamos melhores do que eles. O que estamos fazendo, em termos econômicos, é acabar com todos eles, incluindo a China.
Reação no mercado financeiro
O dólar comercial acelerou a alta após o presidente dos EUA, Donald Trump, voltar a criticar o Brasil na tarde desta quinta-feira.
Próximo às 15h06, a moeda subia cerca de 0,57%, a R$ 5,43, atingindo a máxima do dia. No entanto, pouco tempo depois, devolveu parte dos ganhos e subia 0,34%, a R$ 5,418, por voltas das 15h26.
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