Imagens obtidas e divulgadas pela rede americana CNN confirmaram, pela primeira, que o magnata Jeffrey Epstein esteve presente no casamento de Donald Trump com Marla Maples, em 1993. A presença no evento do financista — que se enforcou na prisão há seis anos em meio a investigações sobre tráfico sexual — não era conhecida até esta terça-feira e reacendeu a polêmica sobre a extensão de seu relacionamento com o atual presidente dos Estados Unidos.
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O material foi descoberto durante uma revisão de arquivos de eventos dos quais Trump participou nas décadas de 1990 e 2000. Outros registros divulgados pelo canal americano mostram Trump e Epstein conversando e rindo durante um desfile da marca Victoria’s Secret, em Nova York, em 1999.
As cenas foram captadas antes que o financista fosse acusado de qualquer crime, mas vêm a público num momento em que o republicano sofre pressão até de aliados por mais transparência no caso, em meio à expectativa de revelações sobre quem eram os supostos “clientes” de Epstein.
Questionado pela CNN sobre as imagens, Trump apenas respondeu “Você está brincando comigo?” e desligou o telefone. Em nota, o diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, afirmou que as cenas são “capturas de tela fora de contexto de vídeos e fotos inofensivas de eventos amplamente frequentados, usadas de forma nojenta para insinuar algo obscuro”. Cheung disse que Trump expulsou Epstein de seu clube “por ser um esquisitão”.
De acordo com uma reportagem do The New York Times, Trump teria organizado uma festa exclusiva para “jovens mulheres” em sua residência e clube privado Mar-a-Lago, na Flórida, onde o único outro convidado era o próprio Epstein.
Epstein foi acusado formalmente em 2005 de abusar de menores de idade e acabou preso no ano seguinte. Ele voltou a ser preso em 2019, sob acusações federais de tráfico sexual. Sua morte na prisão desencadeou a circulação de teorias da conspiração, como a de uma “queima de arquivo” relacionada ao acobertamento de uma suposta lista de clientes. Trump nunca foi vinculado formalmente aos crimes imputados ao financista.
Fotos divulgadas pela NBC já haviam apontado a proximidade entre os magnatas, que frequentaram as mesmas festas da alta sociedade americana nos anos 1990. Eles teriam rompido laços em 2000 numa disputa por um imóvel em Palm Beach, segundo o Washington Post.
O presidente americano anunciou na semana passada anunciou na noite de quinta-feira que autorizou o Departamento de Justiça a buscar a divulgação de parte dos documentos relacionados à investigação de tráfico sexual do caso Jeffrey Epstein, em meio à intensa pressão da própria base republicana. Em sua rede Truth Social, Trump afirmou que requisitou à secretária de Justiça, Pam Bondi, que peça a veiculação de “todo e qualquer testemunho pertinente do Grande Júri, sujeito à aprovação do tribunal”.
Acusada por influenciadores de extrema direita de ser cúmplice de um acobertamento do caso, Bondi disse que faria o pedido das transcrições ao tribunal federal.
O pedido ficou aquém das demandas de republicanos no Congresso de tornar públicos todos os arquivos investigativos coletados pelo Departamento de Justiça e pelo FBI (polícia federal americana) — que neste mês redigiram um memorando declarando a morte de Epstein na prisão em 2019 como suicídio e encerrando o caso.
Nos últimos meses, dezenas de agentes do FBI e promotores da divisão de segurança nacional do Departamento de Justiça foram desviados de outras atribuições para revisar milhares de documentos e um vasto acervo de evidências em vídeo, incluindo imagens de câmeras de vídeo na prisão.
A determinação do presidente veio logo depois de ele ameaçar processar o Wall Street Journal, que revelou que o nome de Trump aparece em uma carta com desenho obsceno destinada ao 50º aniversário de Epstein, em 2003. O presidente negou de forma veemente a informação, não verificada de forma independente por outros meios.
Pressionando o governo por mais transparência, apoiadores de Trump começaram a gravar vídeos em que aparecem queimando seus bonés do movimento “Maga” (sigla em inglês para o slogan trumpista “Façam os EUA Grandes Novamente”).
Trump chegou a dizer a jornalistas no Salão Oval que “tudo foi uma grande farsa montada pelos democratas”, e que “alguns republicanos estúpidos e tontos caem na armadilha e, assim, tentam fazer o trabalho [de oposição]”.
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