O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira que Israel e Irã concordaram com um cessar-fogo “completo e total” nas próximas horas. Em uma publicação nas redes sociais, o republicano afirmou que o Irã iniciaria o cessar-fogo e Israel o retomaria 12 horas depois, com a guerra sendo considerada encerrada à meia-noite. Israel ainda não se manifestou oficialmente sobre a trégua — mediada pelo Catar e proposta pelos EUA. Por sua vez, o chanceler iraniano negou que o país tenha concordado com uma trégua, mas indicou que Teerã cessaria as retaliações caso Tel Aviv interrompesse os ataques até o horário acordado. Segundo relatos da imprensa internacional, bombardeios foram registrados de ambos os lados até os últimos momentos para o início do cessar-fogo.
O anúncio acontece horas depois de o Irã atacar as forças americanas estacionadas na base aérea de al-Udeid, no Catar — a maior instalação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, que funciona como quartel-general avançado do Comando Central dos EUA (CENTCOM, na sigla em inglês) —, em retaliação aos bombardeiros americanos que atingiram três instalações nucleares iranianas no fim de semana.
“Foi plenamente acordado entre Israel e Irã que haverá um CESSAR-FOGO completo e total (em aproximadamente 6 horas a partir de agora, quando Israel e Irã tiverem se acalmado e concluído suas missões finais em andamento!), por 12 horas, momento em que a guerra será considerada ENCERRADA! Oficialmente, o Irã iniciará o CESSAR-FOGO e, na 12ª hora, Israel iniciará o CESSAR-FOGO e, na 24ª hora, o FIM Oficial da GUERRA DE 12 DIAS será saudado pelo mundo. Durante cada CESSAR-FOGO, o outro lado permanecerá PACÍFICO e RESPEITOSO”, escreveu Trump na sua rede social Truth Social.
“Partindo do princípio de que tudo funcionará como deveria, o que funcionará, gostaria de parabenizar ambos os países, Israel e Irã, por terem a resistência, a coragem e a inteligência para encerrar o que deveria ser chamado de “A GUERRA DE 12 DIAS”. Esta é uma guerra que poderia ter durado anos e destruído todo o Oriente Médio, mas não destruiu e nunca destruirá! Deus abençoe Israel, Deus abençoe o Irã, Deus abençoe o Oriente Médio, Deus abençoe os Estados Unidos da América e DEUS ABENÇOE O MUNDO!”, acrescentou.
Em entrevista à emissora americana NBC após o anúncio, Trump atribui a si mesmo os méritos pelo cessar-fogo, afirmando que ele “vai durar para sempre” quando questionado sobre a sua duração.
— É um grande dia para os Estados Unidos. É um grande dia para o Oriente Médio. Estou muito feliz por ter conseguido realizar esse trabalho. Muitas pessoas estavam morrendo e a situação só iria piorar — disse o republicano, acrescentando que a guerra “teria destruído todo o Oriente Médio”. — Acho que o cessar-fogo é ilimitado. Vai durar para sempre. Não acredito que eles voltarão a atirar uns nos outros.
Minutos após o anúncio de Trump, a Guarda Revolucionário, braço mais poderoso das Forças Armadas do Irã, prometeu fazer com que os Estados Unidos se arrependessem de qualquer novo ataque contra seu território.
— Advertimos o tolo e estúpido presidente americano (…) que, caso se repita uma agressão (…) ele receberá respostas mais contundentes, das quais se arrependerá — afirmou o chefe da Guarda, Mohammad Pakpour, citado pela televisão estatal.
Representantes dos dois países não confirmaram oficialmente que haverá um cessar-fogo. Um porta-voz do Exército israelense afirmou ao New York Times que não iria comentar. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, disse em uma publicação no X que não há nenhum “acordo” sobre cessar-fogo. No entanto, o chanceler indicou que Teerã interromperia as retaliações caso Tel Aviv encerrasse os ataques até o horário acordado.
“Como o Irã deixou claro repetidamente: Israel iniciou a guerra contra o Irã, e não o contrário. Até o momento, não há nenhum ‘acordo’ sobre qualquer cessar-fogo ou cessação das operações militares”, pontuou Araghchi. “No entanto, desde que o regime israelense interrompa sua agressão ilegal contra o povo iraniano até às 4h da manhã, horário de Teerã, não temos intenção de continuar nossa resposta depois disso. A decisão final sobre a cessação de nossas operações militares será tomada posteriormente.”
Nos momentos finais até o início do acordo, os dois países trocaram ataques. O Irã pediu aos moradores de Ramat Gan, nos subúrbios de Tel Aviv, que se retirassem após uma ordem semelhante emitida pelo Exército israelense à população que vive no centro de Teerã. Uma série de explosões foi ouvida na capital iraniana nas últimas horas, reportaram correspondentes da AFP. Do lado israelense, o Exército informou ter interceptado três drones lançados do Irã antes que eles cruzassem o seu território, além de um drone que seguia em direção ao sul das Colinas de Golã. De acordo com o chanceler iraniano, as operações militares “continuaram até ao último minuto”.
“Juntamente com todos os iranianos, agradeço às nossas corajosas Forças Armadas, que permanecem prontas para defender o nosso querido país até à última gota de sangue e que responderam a qualquer ataque do inimigo até ao último minuto”, escreveu Araghchi no X.
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Mais cedo nesta segunda-feira, Israel havia bombardeado centros de comando da Guarda Revolucionária e a prisão de Evin, e também declarou ter realizado ataques para “bloquear as vias de acesso” à fortaleza nuclear subterrânea de Fordow.
A guerra de 12 dias entre os dois países deixou mais de 400 mortos e 3 mil feridos no Irã, a maioria deles civis, segundo um balanço oficial. Por sua vez, os ataques iranianos contra Israel mataram 24 pessoas, de acordo com autoridades israelenses.
Mais cedo, Trump minimizou os ataques retaliatórios do Irã, classificando-os como “muito fracos”, ao mesmo tempo em que elogiou o “aviso antecipado” dado por Teerã. “O Irã respondeu oficialmente à nossa destruição de suas instalações nucleares com uma resposta muito fraca, o que esperávamos e combatemos de forma muito eficaz”, postou Trump em sua plataforma Truth Social. “Quero agradecer ao Irã por nos avisar com antecedência, o que tornou possível que nenhuma vida fosse perdida e ninguém ficasse ferido”.
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De acordo com o Departamento de Defesa americano, os ataques foram realizados com mísseis de curto e médio alcances. Além disso, os EUA também confirmaram que nenhuma outra base militar americana foi atacada além de al-Udeid, ao contrário do que havia sido reportado inicialmente, citando a base no Iraque de Ain al-Asad. Não houve registros de vítimas após os ataques, confirmaram duas autoridades dos EUA à agência Reuters.
Um alto funcionário, que falou sob condição de anonimato à Associated Press, disse que “os destroços de um míssil iraniano com defeito, direcionado a Israel, geraram um alerta” de um ataque iminente à base iraquiana, mas que foi um “alarme falso”.
Localizada na província de Anbar, no oeste do país, essa base abriga tropas americanas que apoiam as forças de segurança iraquianas e participam da missão da Otan no país, segundo a Casa Branca.

A retaliação iraniana ao ataque americano no fim de semana representa uma escalada mais significativa do que a resposta ao assassinato do general Qassem Soleimani em 2020, quando Teerã optou por bases menos estratégicas no Iraque e na Síria.
A ameaça contra al-Udeid vinha sendo monitorada desde o meio-dia desta segunda-feira, segundo relato de um diplomata à agência Reuters. Um alto funcionário da Casa Branca também afirmou à Bloomberg que Washington acompanhava de perto o que até então era tido como “ameaças potenciais”. Imagens de satélite divulgadas pelo site Business Insider mostram que os EUA já tinham retirado a maior parte de suas aeronaves estacionadas fora de hangares na base nos últimos dias.
Mais cedo, o Catar havia anunciado a suspensão temporária do tráfego em seu espaço aéreo “para garantir a segurança de cidadãos, residentes e visitantes”, segundo comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do país. O Departamento de Estado americano também havia orientado os cidadãos dos EUA presentes no Catar a permanecerem em locais seguros “por extrema precaução”.
O ataque ocorreu após o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se reunir com um aliado fundamental, o presidente russo, Vladimir Putin. Embora o líder russo tenha chamado os ataques dos EUA de “agressão absolutamente sem provocação”, não chegou a oferecer apoio concreto ao Irã.
A ação foi amplamente condenada, sobretudo regionalmente. O Exército de Israel afirmou que a ação do Irã comprovou que o país representa uma ameaça para “o mundo inteiro”. “Isso é mais uma prova de hostilidade e violência e do fato de que o Irã é um Estado terrorista, que ameaça não apenas Israel, mas todo o Oriente Médio, incluindo seus vizinhos e o mundo inteiro”, disse o porta-voz militar do país Effie Defrin a jornalistas em uma entrevista coletiva televisionada.
Os Emirados Árabes Unidos emitiram um comunicado classificando o ataque como “uma violação flagrante da soberania e do espaço aéreo do Catar”, além de uma “clara afronta ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas”. Em linha semelhante, a Arábia Saudita considerou o ataque como “uma violação flagrante do direito internacional e dos princípios de boa vizinhança”. A Jordânia, por sua vez, condenou o que chamou de “agressão lançada pelo Irã contra o Estado-irmão do Catar”, e o Bahrein reafirmou “total apoio e solidariedade ao Catar”, “refletindo os estreitos laços de fraternidade e parentesco entre eles”.
Já na Europa, o presidente francês, Emmanuel Macron, clamou retorno das partes “à mesa de negociações”, para que “a espiral do caos” chegue ao fim” e disse estar em “contato próximo com as autoridades do país e com nossos parceiros da região”.
Em meio à tensão, o Reino Unido organizou um voo de retirada que partiu de Tel Aviv nesta segunda-feira — o primeiro de uma série de operações planejadas para retirar cidadãos britânicos de Israel. Desde o início do conflito, a maior parte dos voos comerciais na região foi suspensa,após o Irã lançar ondas sucessivas de mísseis e drones em retaliação aos ataques israelenses.
A extensa operação militar dos Estados Unidos — que teve como alvos as instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahã — marcou a entrada direta de Washington na guerra iniciada em 13 de junho, quando Israel lançou ataques a centros nucleares e militares iranianos, matando altos comandantes e cientistas atômicos. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, classificou as ações como de “objetivo limitado”, com foco na destruição do programa nuclear iraniano, sem intenção de uma mudança de regime.
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