O ex-ministro Fábio Faria avisou o banqueiro Daniel Vorcaro que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes havia lhe cobrado sobre o atraso no pagamento do contrato do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Nos diálogos extraídos do celular de Vorcaro, Faria encaminhou imagens de visualização única atribuídas a Moraes e alertou o banqueiro: “O careca não pode atrasar”.
A conversa ocorreu em março de 2024, dois meses após a assinatura do contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório de Viviane. Como revelou o Estadão, o contrato foi editado pelo próprio Moraes.
Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, atuou como uma espécie de conselheiro político do dono do Master e o apresentou a diversas pessoas influentes em Brasília.
Procurado, Fábio Faria disse que o pagamento citado seria referente a um processo que o escritório de Viviane atuou para Vorcaro na Justiça de São Paulo envolvendo o empresário Vladimir Timerman e que desconhecia o contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório dela. Faria disse que foi perguntado por Vorcaro sobre a contratação do escritório de Viviane para a disputa judicial em São Paulo e afirmou ter recomendado a atuação dela, mas disse que não teve nenhuma reunião com o escritório e que não tomou conhecimento dos valores contratados entre as partes.
Em março de 2024, Fábio Faria encaminhou ao banqueiro do Master duas capturas de tela com visualização única. Pelo contexto do diálogo, investigadores ouvidos pelo Estadão apontam que as imagens indicam conversas no WhatsApp entre Moraes e o próprio Faria. O conteúdo das mensagens mostraria cobranças do ministro do STF, via Fábio Faria, em razão da demora nos pagamentos previstos no contrato do Barci de Moraes com o Master.
De acordo com a 11.ª cláusula do documento, os valores deveriam ser pagos até o quinto dia útil de cada mês. No caso, os pagamentos já haviam atrasado em fevereiro e março de 2024, nos dois primeiros meses de vigência do acordo.
“Irmão. Depois vê aí que preciso retornar o careca”, escreveu Fábio Faria em 15 de março de 2024, às 14h48.
Vorcaro respondeu às capturas de tela e à mensagem de Faria informando que “o contato não é o Fabiano”, mas, sim, “o Ângelo do banco”. Para investigadores, isso mostra que o responsável pelos pagamentos não era Fabiano Zettel, homem de confiança do controlador do Master, como pensava o escritório Barci de Moraes e, por consequência, o ministro do STF, mas, sim, Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio e tesoureiro da instituição financeira.
Logo na sequência, o ex-ministro das Comunicações tentou ligar para Vorcaro, que não atendeu, alegando que não poderia conversar naquele momento. “Te chamo daqui a pouco”, escreveu o banqueiro.
“Tá. Manda pagar a ele. O careca não pode atrasar. Passa o contato do Ângelo que passo pra ele”, respondeu Faria.
Em seguida, Faria confirmou o envio do contato de Ângelo Silva, tesoureiro do Master responsável pelos pagamentos, ao ministro Alexandre de Moraes. “Avisa que vão ligar do escritório”, arrematou Farias.
Como mostrou o Estadão, após as supostas cobranças do ministro Alexandre de Moraes, encaminhadas por Fábio Faria, Vorcaro montou uma operação na tesouraria do Banco Master para que os pagamentos fossem feitos a qualquer custo, mesmo sem nota fiscal. O contrato, de R$ 131 milhões, era considerado pelo banqueiro o compromisso “mais importante” do Master.
Em um diálogo extraído do celular do banqueiro, Vorcaro mencionou a funcionários do Master possíveis retaliações em caso de atrasos. “Vamos ter problemas”, alertou.
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