A deputada Julia Zanatta (PL-SC) encerrou o ano de 2025 no centro de uma tempestade ética que mistura direitos garantidos, assiduidade parlamentar e a polêmica resistência ao fim da escala 6×1.
O RELÓGIO DE QUEM LEGISLA
Os números oficiais da Câmara revelam que Zanatta registrou 73 presenças em plenário durante todo o ano de 2025. O restante de sua agenda foi marcado por 46 ausências justificadas, a grande maioria amparada pelo direito à licença-maternidade, iniciada em março.
Embora o afastamento seja um direito legítimo e humano, o contraste surge quando a parlamentar se posiciona firmemente contra a PEC que reduz a jornada de trabalho do cidadão comum.
A ANALOGIA DO CONFLITO
Enquanto a deputada usufruiu da segurança de sua licença para cuidar da filha — chegando a ocupar a mesa diretora com o bebê em agosto como ato político — ela defende que o trabalhador brasileiro mantenha a rotina de seis dias de trabalho para apenas um de descanso.
• Na Câmara: O sistema permite faltas justificadas e longos períodos de afastamento sem prejuízo ao cargo ou subsídio.
• No Comércio/Indústria: Na escala 6×1, a ausência para cuidar de um filho ou um dia de folga extra é luxo inacessível para milhões, muitas vezes resultando em demissão.
LIBERDADE PARA QUEM?
Zanatta argumenta que a escala 6×1 é uma questão de “liberdade econômica” e que o Estado não deve intervir. No entanto, críticos apontam a ironia: a parlamentar utiliza todas as garantias do Estado para conciliar maternidade e política, mas nega ao trabalhador o direito de ter mais tempo para sua própria família.
O embate em Brasília não é apenas sobre números, é sobre a coerência. Pode quem trabalha em um regime de alta flexibilidade ditar que o povo continue sob um regime de exaustão?
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